Novo sistema de emissão e registro de títulos do agronegócio é lançado em SP

Foi lançado nesta quarta, dia 2, em São Paulo um sistema mais rápido de emissão e registro de títulos do agronegócio, uma fonte alternativa de obter recursos para o setor. O sistema foi criado pela BM&FBovespa e, num primeiro momento, deve ser utilizado pelo Banco do Brasil.

Boa parte da agricultura brasileira depende de recursos e regras do governo para obter financiamento. Na tentativa de reduzir essa dependência e buscar outras fontes de dinheiro, em 2004 foram criados os novos títulos do agronegócio. O mais utilizado são as letras de crédito.

Quando o agricultor pega um empréstimo no banco, assume um compromisso de pagamento. Essa dívida é transformada em um título que o banco pode vender a um investidor, qualquer pessoa física ou jurídica. Esses títulos são as chamadas letras de crédito do agronegócio (LCAs).

O investidor adquire o titulo e assim faz uma aplicação. Se for pessoa jurídica, não paga Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O investidor pessoa física é isento de Imposto de Renda na operação. Assim, com mais dinheiro nos bancos, a expectativa é de que haja aumento na oferta de credito ao agricultor.

– Isso significa que o banco aumenta os recursos que ficam a sua disposição para financiamentos em geral e para a agricultura em particular, então com isso acho que nós estamos alcançando o objetivo pelo qual agente vem batalhando há muito tempo de ampliar o volume de recursos para financiar a agricultura brasileira e principalmente diversificar as fontes – explica Luis Carlos Guedes Pinto, vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil.

Desde que foram criadas, os bancos já emitiram R$ 284,7 bilhões em LCAs. Só no ano passado, foram R$ 171,9 bilhões, quase três vezes mais do que ano anterior: R$ 63,2 bilhões.

Os especialistas explicam que a negociação destes títulos demorou a deslanchar porque o sistema era muito burocrático.

Nesta quarta, dia 2, a BM&FBovespa e o Banco do Brasil, responsável por dois terços do financiamento agrícola do país, assinaram um convênio para agilizar a emissão e registro desses títulos. É um sistema em tempo real que vai dar mais transparência aos negócios.

– O convênio vai permitir que isso seja feito automaticamente, sem que ninguém tenha que digitar num computador do banco todas essas informações pra mandar pra nossa central de registro. Então vai ser uma conversa via os sistemas de informática do banco e da BM&F – ressalta Ivan Wedekin, diretor de commodities da BM&F Bovespa.

– A BM&F tem essa credibilidade no mercado e tem os sistemas operacionais que integrados com os do banco vão nos permitir lançar esses títulos em um número muito maior e com muito mais rapidez – observa Luis Carlos Guedes Pinto, vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil.

O Banco do Brasil já emitiu R$ 1,2 bilhão em letras de crédito do agronegócio. A expectativa é ultrapassar R$ 5 bilhões até o fim do ano, podendo chegar a R$ 10 bilhões.

No encontro, o presidente da bolsa lembrou que o novo sistema não vai ficar restrito ao Banco do Brasil.

– Todos os bancos serão visitados, principalmente aqueles que têm foco também na emissão de LCAs pra poder ter também a adesão desses bancos no nosso sistema com uma melhor transparência com mais lastro envolvido na garantia – Edemir Pinto – presidente da BM&FBovespa.

Canal Rural