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Novo fundo de US$ 2 bi visa aportes na África

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A Fundação Getulio Vargas (FGV) lançou ontem, em Brasília, o fundo Nacala, voltado a investimentos no setor de agronegócios em Moçambique. A captação vai começar em novembro e a meta é levantar US$ 2 bilhões em um prazo de até quatro meses – metade no Brasil e metade no Japão -, segundo o coordenador da FGV Projetos, Cleber Guarany.

O fundo, que é resultado de um acordo entre os governos de Brasil, Japão e Moçambique e a própria FGV, oferece um retorno mínimo de 10% ao ano, mas tem como objetivo alcançar uma rentabilidade anual entre 20% e 22%. Guarany afirma que o perfil dos investidores já contactados pela FGV é formado principalmente por fundos de pensão e tradings. O fundo terá cota mínima de US$ 100 mil e duração prevista de dez anos.

Com os recursos em mãos, o fundo pretende investir na implantação de cultivos agrícolas – soja, milho, algodão, girassol e arroz, entre outros – e na construção de agroindústrias. Infraestrutura de transporte e armazenamento também poderão ser alvos de aportes.

Ele não acredita que o fundo terá dificuldade em captar esses recursos, apesar da crise no mercado financeiro internacional. "Trata-se de um projeto sólido, com bom retorno de longo prazo, voltado à produção de alimentos. Há ainda o envolvimento de três governos [Brasil, Japão e Moçambique]", avalia Guarany.

A expectativa de obter retorno elevado se justifica, segundo o especialista, porque não há no projeto custo de aquisição de terra, uma vez que em Moçambique o governo oferece a concessão de uso da terra por 50 anos, renováveis por mais 50.

A parte técnica do projeto será desenvolvida via arranjos produtivos – cooperativas ou consórcios – formados por produtores brasileiros e moçambicanos. "Já estamos em negociações com associações de produtores de soja, algodão, etc", acrescenta Guarany.

O programa Prosavana, de cooperação técnica, pesquisa e extensão rural para essa região da África, também foi criado e é desenvolvido pela FGV para dar suporte aos projetos agrícolas do fundo. Esse programa é uma versão para a África do Prodecer (Programa de Desenvolvimento dos Cerrados), criado há cerca de três décadas e que foi fundamental para o desenvolvimento da agricultura do Cerrado brasileiro, explica Guarany. (FB)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo