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Novo Entreposto São Paulo ainda tem baixa adesão

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Com a adesão de menos de 30% dos atuais permissionários da Ceagesp, o Novo Entreposto São Paulo (NESP), iniciativa privada para a construção de um novo centro de abastecimento e distribuição em São Paulo, apresentou ontem o projeto para a construção do empreendimento em Perus, zona norte da capital paulista, com um custo avaliado em R$ 1,1 bilhão.

Até o momento, contudo, foram levantados R$ 75 milhões junto aos cerca de 200 permissionários que entraram no projeto desde o início, usados para a aquisição do terreno. Outros R$ 500 milhões, referentes à edificação dos boxes, deverão ser obtidos após a execução das obras.

"Não soubemos comunicar. A proposta era muito boa", disse o empresário Sérgio Benassi, presidente do NESP. Ele ressalta que o momento é de "reflexão" diante das alternativas oferecidas pelo poder público para a realocação do entreposto da Ceagesp, hoje situado em área valorizada da capital. "Se o governo oferecer coisa melhor, seremos humildes e aceitaremos a nova proposta", afirmou Benassi a permissionários durante a apresentação do projeto.

Com 1,6 milhão de metros quadrados, a área em Perus foi desenhada para receber 9 pavilhões, um deles exclusivo para proteínas de origem animal, com câmaras frias. Cada pavilhão deverá contar com três pavimentos – um estoque no subsolo, espaço de comercialização no térreo e administração no mezanino. As vias também foram planejadas para separar caminhões de veículos de passeio, com passarelas entre os pavilhões para evitar a circulação de pessoas nas vias de transporte de cargas.

Diante da baixa adesão, o NESP planeja receber novas propostas de permissionários antes de oferecer ações do entreposto para fundos e financiadores interessados em explorar o aluguel dos pontos restantes, que hoje representam 70% do total de boxes planejados. "A crise econômica foi terrível para todo mundo e não foi diferente para o setor de hortifrutis. Muitos permissionário preferem alugar um novo espaço a entrar como sócio", disse Benassi.

A previsão atual é que as obras sejam concluídas em 2021. Até lá, a empresa ainda deve enfrentar desafios como a autorização para a construção de um acesso pela Rodovia dos Bandeirantes, como consta no projeto inicial. A prefeitura, contudo, defende um acesso que ligue a avenida Raimundo Pereira de Magalhães à rodovia Anhanguera. "Além do abastecimento, querem que a gente também resolva o problema viário da cidade, o que é muito pesado", reclamou Sérgio Benassi.

Se o projeto do NESP de fato sair do papel como foi arquitetado, a Ceagesp, que é uma estatal federal ligado ao Ministério da Agricultura, não terá qualquer participação.

  • Por Cleyton Vilarino | De São Paulo
  • Fonte : Valor