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Novo comitê pode ser saída para Wesley continuar à frente da JBS

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Paulo Fridman/Bloomberg

BNDES e outros acionistas pressionam por saída de Wesley Batista da JBS

Em meio à pressão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pela "profissionalização" do comando da JBS, a companhia anunciou no fim da noite de quarta-feira a criação de um "comitê executivo" para assessorar o conselho de administração em decisões estratégicas como a venda de ativos.

A medida pode ser uma alternativa para que o empresário Wesley Batista se mantenha no comando da JBS caso tenha que deixar a presidência da companhia. Além de Wesley, fazem parte do comitê executivo Tarek Farahat, presidente do conselho de administração da empresa, e Gilberto Xandó, membro do conselho de administração da JBS e presidente da Vigor Alimentos.

O conselho de administração da JBS tem até hoje para apreciar um pedido do BNDES – segundo maior acionista da empresa, com participação de 21,3%, – para convocar assembleia extraordinária de acionistas, que pode decidir pela saída da Wesley Batista da presidência e do conselho.

A permanência de Wesley Batista na presidência pode ser um entrave à publicação do balanço da JBS. Quando estava no centro das investigações da Lava-Jato, a Petrobras só obteve aval de auditoria para a publicação de seu balanço após a saída da então presidente Maria das Graças Foster.

No fato relevante enviado ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a JBS informou que cabe ao comitê executivo assessorar a diretoria na "revisão de propostas de aquisição, investimentos, desinvestimentos, associações e alianças estratégicas".

Para reduzir o índice de alavancagem, a empresa anunciou na semana passada um plano de desinvestimento para obter R$ 6 bilhões. Entre os ativos à venda, estão a subsidiária irlandesa Moy Park, de carne de frango, a americana Five Rivers, de confinamentos de gado bovino, e a participação de 19% da JBS na Vigor.

O comitê executivo também vai assessorar a diretoria da companhia na gestão e na elaboração e revisão do orçamento plurianual e anual. O novo órgão atuará ainda na "orientação geral sobre os negócios, inclusive sugerindo a adoção de políticas, diretrizes e ações estratégicas", informou a JBS.

A empresa anunciou ainda na quarta, a eleição de Cláudia Santos e André Janszky para seu comitê de governança. Cláudia é conselheira da JBS indicada pela BNDESPar. Advogado, Janszky é consultor independente em governança corporativa e anticorrupção.

Também foi aprovado o plano de trabalho do programa de compliance "Faça sempre a Coisa Certa", proposto pelo diretor global de compliance da JBS, Marcelo Proença, contratado recentemente.

  • Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
  • Fonte : Valor