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Novo acionista, Laplace assume renegociação de dívidas da Vanguarda

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No início do ano, a Vanguarda Agro passou a ter um novo sócio relevante. A Laplace Finanças comprou 23% das ações e transformou-se no maior acionista individual da produtora de grãos e fibras. Agora, o novo acionista terá a missão de promover na empresa a sua especialidade: reestruturação financeira. Quem deixou o quadro acionário da Vanguarda foram os irmãos Helio e Salo Davi Seibel, que entre outros negócios, são donos da Leo Madeira e têm participação na Duratex e na Leroy Merlin.

Os sócios da Laplace, Renato Carvalho, Marcel Vieira e Renato Takamura assumiram três das 10 vagas no conselho de administração da Vanguarda – ou aquelas antes ocupadas pelos Seibel. Antes de montar a Laplace, em 2010, os três trabalharam juntos na Angra Partners, também especializada em operações complexas e reestruturação. A Laplace não deu entrevista.

Os problemas da Vanguarda são conhecidos do mercado. A empresa tem elevado endividamento em dólar e teve as contas afetadas pela volatilidade cambial dos últimos meses. Conforme os últimos dados divulgados, no terceiro trimestre de 2015 a companhia teve R$ 86,28 milhões de prejuízo. E a dívida líquida estava em US$ 242,59 milhões. No fim do ano, a Vanguarda informou que renegociava os pagamentos de uma dívida de US$ 150 milhões com os bancos Itaú BBA, Bradesco e Santander. A intenção era postergar um pagamento de US$ 15 milhões para abater o principal.

O Valor apurou que essa renegociação ainda não está concluída, missão que foi assumida pela Laplace. A butique financeira vê a empresa com boas perspectivas e bem administrada pelo atual presidente, Arlindo Moura. Mas avalia que é preciso reestruturar a dívida, alongando os vencimentos e, ao mesmo tempo, buscando formas de financiar-se no curto prazo.

Os sócios da Laplace têm a expertise financeira e o relacionamento com os bancos e também conhecimento do agronegócio, uma vez que já assessoram e/ou estiveram nos conselhos de Maeda Agroindustrial e Biosev. Tanto apostam na criação de valor para a Vanguarda que não fecharam apenas um contrato de assessoria, mas ficaram com um pedaço relevante da empresa – aproveitaram-se de uma oportunidade, uma vez que, em 2015, as ações da Vanguarda caíram 74%.

Os Seibel eram acionistas da empresa desde 2011, quando houve operações de reestruturação e incorporação entre Vanguarda e Brasil Ecodiesel. Ano passado, ao lado do investidor Silvio Tini, que é o presidente do conselho de administração e tem 10,83% da Vanguarda, haviam ampliado suas fatias num aumento de capital. A venda da fatia dos Seibel, de acordo com fontes, pegou outros acionistas de surpresa. A Vanguarda tem uma base acionária de peso. Além de Tini, a gestora de recursos Gávea tem 14,95%; o fundo EWZ, 15,62% e o produtor rural de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, criador do negócio, tem 11,99%.

Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio
Fonte : Valor