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Novas restrições ao Brasil; Maggi fala em ‘pancada’

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Ao mesmo tempo em que cresce o número de países impondo algum tipo de restrição às carnes brasileiras em decorrência da Operação Carne Fraca, as exportações diárias do produto pelo país despencam. Na última terça-feira, as vendas externas brasileiras de carnes somaram apenas US$ 74 mil, conforme acompanhamento feito pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Esse valor significa que as exportações de carnes praticamente zeraram naquele dia, uma vez que a média diária no mês de março de 2016 havia sido de US$ 63 milhões.

Ontem, mais cinco países entraram na lista dos que impuseram alguma restrição às carnes brasileiras. O Ministério da Agricultura informou que a África do Sul suspendeu temporariamente as importações dos 21 estabelecimentos investigados na Operação Carne Fraca. Já a Arábia Saudita, maior cliente do frango brasileiro, comunicou que vai suspender as compras dos quatro estabelecimentos frigoríficos suspeitos de irregularidades apontadas na operação.

A Pasta informou ainda que os Emirados Árabes paralisaram o desembaraço de carnes brasileiras até a validação de testes por amostragem. Com base em informações repassadas pela JBS, o ministério disse que o Panamá comunicou a suspensão temporária da importação de carne bovina processada. As Bahamas, por meio da embaixada brasileira em Nassau, também avisou que suspendeu temporariamente as importações de carnes brasileiras.

O ministério recebeu ainda pedidos de informações do Canadá, mas informou que não houve nenhum comunicado sobre possível restrição às importações de carne pelo país da América do Norte.

Os novos países a restringir as carnes brasileiras ontem se juntaram a China, Hong Kong, Egito, Chile, Argélia, Jamaica, Trinidad e Tobago, que já haviam suspendido temporariamente as compras do Brasil. Há ainda Japão e União Europeia, que embargaram apenas as importações de produtos das 21 unidades frigoríficas investigadas na operação.

Com o agravamento das restrições e a forte queda nas exportações diárias de carnes, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ontem que, a partir de agora, o Brasil tem de "lutar" para manter sua participação no mercado mundial de alimentos e não mais buscar ampliar sua fatia.

Em audiência conjunta das comissões de Assuntos Econômicos e de Agricultura no Senado ontem, o ministro disse, em referência aos embargos, que "o que estamos sofrendo hoje é uma pancada, um soco no estômago. Temos que viajar pelo mundo, andar novamente, efetivamente mostrar que houve desvios de algumas pessoas e não do sistema", afirmou Maggi, que estima que o país pode perder US$ 1,5 bilhão em exportação de carnes em 2017. Temos que lutar para manter a participação de 7% do Brasil no comércio mundial de alimentos e não mais aumentar para 10% como era nosso plano até 2020", completou.

Na audiência, Maggi reiterou que a atenção do governo está voltada à China e a Hong Kong, os dois maiores importadores de carnes. "Ainda não temos posição clara de quando eles vão retirar a suspensão". Ele reforçou que vai continuar intensificando o contato com representantes dos países importadores deve telefonar hoje para o ministro da Agricultura da Rússia, também um importador relevante. "Mas será inevitável uma viagem internacional em breve para vários países", declarou o ministro. (Colaborou Luciano Máximo)

Por Cristiano Zaia, Luiz Henrique Mendes e Cleyton Vilarino | De Brasília e São Paulo

Fonte : Valor