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Notícias – Oficina apresenta experiências de agroecologia no Amapá

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  Transferência de Tecnologia  Agricultura familiar  Agroecologia e produção orgânica

Dulcivania Freitas - Pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental palestrou sobre as dimensões da agroecologia

Foto: Dulcivania Freitas

Pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental palestrou sobre as dimensões da agroecologia

Os conceitos e as práticas da agroecologia e produção orgânica são temas de uma oficina que acontece nos dias 25 e 26 deste mês, no auditório da Embrapa Amapá (Macapá-AP), reunindo pesquisadores, técnicos da extensão rural e florestal, professores e estudantes de escolas famílias rurais. O evento é realizado pelos Núcleos de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica sediados no Amapá e Pará, que reúnem equipes da Embrapa e de instituições parceiras atuantes no fortalecimento institucional da agroecologia. Durante a abertura da oficina, na manhã desta terça-feira, 25/8, o chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa Amapá, Nagib Melém, enfatizou a importância do nivelamento dos conhecimentos e das experiências práticas para avançar a atuação dos núcleos de estudos. "Em 2006 a Embrapa lançou o marco referencial em Agroecologia, e desde então vem contratando pessoal para atuar nesta dinâmica de estudos, pesquisas e ações. E para sempre avançarmos, é fundamental as parcerias continuadas envolvendo os saberes técnicos e do produtor e de todos que estão envolvidos no avanço das práticas sustentáveis de produção", acrescentou o pesquisador.

Os objetivos da oficina são sensibilizar os participantes sobre os princípios e conceitos da agroecologia, os processos da transição agroecológica e a atuação da Embrapa e das instituições parceiras na agroecologia; e definir a atuação dos núcleos de agroecologia que contam com a participação da Embrapa Amapá. O evento conta com cerca de 40 participantes. No primeiro dia, a programação consta de apresentação da pesquisadora Tatiana Sá, da Embrapa Amazônia Oriental (Pará), abordando a agroecologia associada a questões de grande impacto, como mudanças climáticas, segurança alimentar, agentes bióticos nocivos, manejo de recursos naturais, alternativas à queima, adequação ambiental de estabelecimentos, bens comuns e agregação de valor a produtos. "Durante a programação, incluímos além da questão teórica, alguns relatos de pessoas que trabalham com agroecologia no Pará e no Amapá. Esta oficina é uma oportunidade para compartilharmos nossas experiências e aprofundarmos o conhecimento entre as equipes dos centros da Embrapa e parceiros", acrescentou a pesquisadora.

Atualmente, funcionam dois núcleos de estudos em agroecologia e produção orgânica no âmbito do Pará – um liderado pela Embrapa e um sediado no campus da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus de Capitão Poço; e um núcleo sediado na Universidade Federal do Amapá (Unifap), estruturado em parceria com a Embrapa e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Amapá (Rurap). Esta é a primeira ação de interação entres os núcleos dos dois estados. "A criação destes núcleos é reflexo da política de fomento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio de editais financiados pelo CNPq formatados para fomentar essa interação. E no âmbito dos centros de pesquisas da Embrapa, precisamos reforçar essa integração", explicou Tatiana Sá. Além desta pesquisadora, o evento trouxe a Macapá os pesquisadores Everaldo Almeida e Osvaldo Kato. Os três são vinculados ao núcleo de agroecologia sediado na Embrapa Amazônia Oriental. No âmbito da Embrapa Amapá, o pesquisador responsável pelo núcleo de estudos em agroecologia é Wardsson Borges. Ele observa que existe uma significativa produção de alimentos de base orgânica no estado, porém sem esta classificação oficial devido à falta do selo. "No Amapá, o único produto certificado com selo de orgânico é o açaí. Algumas empresas compram o açaí do extrativista e contratam auditoria para certificação do produto, o que é previsto na legislação brasileira aplicada para certificação de produção orgânica". 

Na manhã da quarta-feira, 26/8, técnicos da Embrapa e das instituições parcerias farão relatos de experiências em agroecologia no estado do Amapá. Um dos projetos é o Interagindo, focado na disseminação de técnicas de produção orgânica, liderado pela analista de transferência de tecnologias, Júlia Stuchi. "Por meio deste projeto foi possível integrar uma rede de cerca de 500 pessoas interessadas em desenvolver a agroecologia no nosso estado. Fizemos mais de 80 capacitações com 70 famílias de agricultores familiares. Neste universo de pessoas integradas e público beneficiado pelas ações do projeto, há técnicos de instituições parceiras (governamentais e não-governamentais), de pesquisas, consumidores, produtores de comunidades quilombolas, ribeirinhos, indígenas e assentados da reforma agrária", descreveu Júlia Stuchi. As capacitações abrangeram desde conceitos e princípios quanto práticas de produção de adubo de baixo custo como compostagem, biofertilizantes, minhocário, além de técnicas para melhorar a produtividade como cultivo protegido, processos de defensivos naturais e controle biológico. "Estamos fortalecendo a organização social para formar uma teia social para fortalecer as ações voltadas a uma vida mais saudável", completou a analista. Daniel Barreto Jacarandá, participante da oficina, tem várias expectativas em torno do evento. Além de ter integrado a equipe do Projeto Interagindo como acadêmico bolsista, é agricultor de base familiar e atualmente professor na Escola Família Agrícola do Carvão, município de Mazagão (AP). "Pelo que vivencio no Amapá, acredito que podemos passar para uma grande escala de produção agroecológica no estado, temos potencial de densidade. Nossos produtores possuem uma gama de conhecimentos dentro da agroecologia que só precisa de ajustes para desenvolver melhor. Nossa expectativa é levar para o campo alguns arranjos tecnológicos para trabalharmos adequando ao processo agroecológico", afirmou Jacarandá. O evento será encerrado na tarde desta quarta-feira, 26, com apresentação e debates sobre as políticas e instrumentos que contemplam a agroecologia na Amazônia, e suas relações com as ações de pesquisa, transferência, intercâmbio, comunicação e o papel dos núcleos de agroecologia.

Dulcivânia Freitas (Jornalista DRT-PB 1.063/96)
Embrapa Amapá

Fonte : Embrapa