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Não há razão para produtores se preocuparem com fusão, diz BRF

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Fonte: Globo Rural

Empresa diz que nenhum contrato será desrespeitado e nenhum agricultor terá qualquer tipo de prejuízo com a operação

por Agência Estado

BRFoods/Divulgação
Segundo a BRF, a base de integrados que serão vendidos para um único concorrente terá seus contratos respeitados

O vice-presidente de assuntos corporativos da BRF – Brasil Foods, Wilson Mello, disse, nesta quarta-feira (13/7), após o término da sessão de julgamento da fusão Sadia-Perdigãono Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na qual a operação foi aprovada com assinatura de umTermo de Compromisso de Desempenho (TCD), que os produtores integrados de ambas as companhias não precisam ficar preocupados. "A base da BRF de integrados que serão vendidos para um único concorrente terá seus contratos respeitados e cumpridos com a garantia de que não serão dispensados", afirmou. "Até porque a produção rural é a alma do nosso e do novo negócio", ressaltou.
O executivo disse que os próximos passos da empresa após assinatura do TCD é analisar as obrigações a serem cumpridas, como a venda de fábricas, Centros de Distribuição, matérias-primas e cessão de contratos. "Agora vamos, com muita calma, no diálogo com todos os interessados, analisar o que será feito. Mas, de novo, nenhum contrato será desrespeitado, nenhum produtor rural terá qualquer tipo de prejuízo com a operação", finalizou o executivo.

Decisão

O conselheiro do Cade, Ricardo Ruiz, discorda do colega Carlos Ragazzo, que avaliou o acordo entre BRF e o órgão antitruste como "heterodoxo". Ruiz esteve à frente das negociações com a companhia depois que pediu vista dos autos, quando Ragazzo votou pela reprovação da operação. "A decisão não foi heterodoxa. Ela já foi tomada pelo Cade várias vezes. Não inventamos ferramenta nova, o que fizemos foi ajustar a ferramenta para o tamanho da companhia", defendeu.
Ruiz salientou que a fusão envolvendo Sadia e Perdigão opera em mais de 12 mercados relevantes e integrados. "Não é um negócio simples", afirmou.
O conselheiro revelou que o Cade apresentou à empresa duas propostas. Na primeira, estava em jogo a alienação da produção de 552 mil toneladas por ano e a venda da marca da Perdigão. Na segunda proposta, que foi a base da negociação, o volume aumentou (para 732 mil toneladas por ano), e a marca Perdigão terá de sair de circulação por alguns anos em segmentos de maior concentração de mercado.

Venda de ativos

Além de companhias já estabelecidas no mercado ou que poderão entrar no segmento, a venda dos ativos da BRF Brasil Foods acertada com o Cade nesta quarta-feira poderá ser feita também a outros tipos de interessados, conforme o conselheiro Olavo Chinaglia, que presidiu a sessão de julgamento do caso. "O acordo não tem restrições para o adquirente: pode ser uma empresa que atua no mercado, fundos, novos agentes econômicos", enumerou.