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No Brasil, colheita de trigo tende a recorde

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Bastante prejudicada no ano passado por adversidades climáticas e fitossanitárias no Rio Grande do Sul, a colheita brasileira de trigo deverá se recuperar e bater um novo recorde histórico em 2015, de acordo com a primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a produção do cereal na nova temporada.

Segundo a Conab, o volume total deverá alcançar 7,045 milhões de toneladas, 18% mais do que o resultado final de 2014 (5,971 milhões). Se confirmada a projeção, será a primeira vez que a colheita superará a marca de 7 milhões de toneladas. Mas será preciso esperar para ver, uma vez que ainda é cedo para cravar que o clima será mais camarada.

No último mês de agosto, por exemplo, a Conab previu que a produção brasileira de trigo alcançaria 7,5 milhões de toneladas no ano passado, 36% mais que em 2013. Na ocasião, a autarquia reduziu sua projeção para as importações brasileiras do cereal para 5,5 milhões de toneladas, e pela primeira vez desde 2010 a produção doméstica seria superior às compras no exterior.

Mas as chuvas castigaram a colheita gaúcha e frustraram as expectativas positivas, amplamente comemoradas pelo governo brasileiro em tempos de restrições às exportações na Argentina, tradicional fornecedor do país. Segundo a Conab, o Brasil é um dos maiores importadores de trigo do mundo, com um volume que, ao fim e ao cabo, chegou a 6,65 milhões de toneladas em 2014.

Mas, se tudo der certo, o cenário inicialmente previsto para o ano passado ganhará contornos concretos em 2015, mesmo a partir de uma área plantada 5,3% menor, estimada pela Conab em 2,612 milhões de hectares no país. Desestimulados, os triticultores gaúchos deverão reduzir a semeadura em 10%, para 1,026 milhão de hectares, mas mesmo assim sua produção tende a aumentar 78% e atingir quase 2,7 milhões de toneladas.

Maior Estado produtor de trigo do país, o Paraná também deverá ver sua área plantada diminuir – 2,3%, para 1,357 milhão de hectares, conforme a Conab. O plantio começa neste mês. Mas, como não enfrentou os mesmos problemas do Rio Grande do Sul em 2014, o Paraná deverá produzir 3% menos (3,679 milhões de toneladas).

Sob influência direta das primeiras projeções para o novo ciclo do trigo, a Conab elevou para 202,226 milhões sua projeção para a produção brasileira de grãos nesta safra 2014/15, 4,4% mais que em 2013/14 e também um recorde, garantido por uma área plantada 0,3% superior (57,211 milhões de hectares) e por uma produtividade média 4,2% maior (3.535 quilos/hectare). De acordo com dados do IBGE, serão, no total, 201 milhões de toneladas, com um crescimento de 4,2%.

Para os demais grãos, os levantamentos de Conab e IBGE não trouxeram novidades significativas. Conforme a Conab, a colheita brasileira de soja, carro-chefe do agronegócio nacional, chegará ao recorde de 95,07 milhões de toneladas, um incremento de 10,4% em relação ao ciclo 2013/14. No caso do milho, a autarquia estima uma produção total de 78,595 milhões de toneladas, em queda de 1,8%.

A colheita de milho volta a ser puxada pela segunda safra, cuja produção passou a ser calculada em 47,892 milhões de toneladas, 1% menos que em 2013/14. Na temporada de verão houve baixa de 3%, para 30,703 milhões.

Fonte: Valor | Por Fernanda Pressinott, Bettina Barros, Luiz Henrique Mendes, Fernando Lopes, Cristiano Zaia e Alessandra Saraiva | De São Paulo, Brasília e do Rio