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NFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

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  • Navegando por águas novas

    Partiu ontem do porto de Paranaguá, no Paraná, rumo à Europa, uma carga de 8 mil toneladas de biodiesel produzida em solo gaúcho. O embarque para o Exterior marca uma nova fase de expansão da BSBios. A empresa, com sede em Passo Fundo, dá continuidade à estratégia iniciada no final do mês passado, quando foi realizado o primeiro embarque comercial do produto para a Holanda.
    – Está claro que se o setor produtivo tiver condições, há capacidade de atender parte do grande mercado da Europa – afirmou o presidente da empresa e também da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella.
    As condições de produção a que se refere têm relação com o marco regulatório aguardado pelo setor e que segue parado. Uma das principais reivindicações da indústria nacional – atualmente com 60% da capacidade ociosa – é a ampliação do percentual de biodiesel misturado ao diesel de 5% para 7%. Em 15 anos, a ideia é chegar a 10% de mistura.
    Em reunião no início do mês, o governo pediu uma trégua até agosto. Presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, o deputado federal Jerônimo Goergen pretende agendar para a segunda quinzena um encontro com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para retomar o assunto.

  • A cotação do milho acumula queda de 29,2% no mercado de balcão na parcial deste ano, segundo dados do Cepea.

  • O Ministério da Agricultura intensificou a política de incentivo ao uso e ao registro de produtos biológicos para o combate de pragas. A meta é fazer com que até 2015 10% dos defensivos registrados no país sejam desse tipo, o dobro do percentual atual.

  • Está difícil acertar o ponto

    Quando se sentar à mesa hoje para apresentar a proposta de alteração do projeto de lei que cria o Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite do Estado (Fundoleite) ao Sindilat e nos próximos dias a outras entidades do setor , a Secretaria da Agricultura terá em mãos a difícil missão de convencimento. E, ao que tudo indica, nem a exclusão dos produtores das partes que devem contribuir com recursos para o fundo como prevê o projeto original o tornou mais simpático.
    – Mesmo que seja recolhida parcela só da indústria, haverá impacto para o produtor – diz o presidente da comissão de leite da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Jorge Rodrigues.
    Para chegar à nova fórmula, o governo teve de ceder. A ideia original era de que produtor, indústria e Estado entrassem com partes iguais na composição do Fundoleite. A soma dos três geraria R$ 3,6 milhões ao ano. Outros R$ 2,4 milhões viriam do crédito presumido de produtos lácteos, chegando a um total de R$ 6 milhões. Sem os produtores, o valor cai para R$ 4,8 milhões.
    No mês passado, a pressão feita por representantes de seis entidades de representação do agronegócio, da indústria, do comércio e dos serviços já havia feito o governo recuar, retirando o regime de urgência do projeto de lei.
    Quanto à natureza do fundo (que será público), o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, argumenta que as preocupações são indevidas, uma vez que a proposta determina repasse imediato de 98% – por uma imposição legal não poderia ser 100% – para a conta do Instituto Gaúcho do Leite, que será privado.
    Rodrigues afirma que o setor sugere a criação de uma entidade, independentemente do nome, que fomente a produção de leite. Mas acha que o primeiro passo está em um serviço de defesa estruturado. E, para isso, completa, poderiam ser usados recursos do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), sem a necessidade de criar um novo fundo.
    – Não vejo espaço para o produtor validar essa oneração – resume, em relação ao Fundoleite.

Fonte: Zero Hora