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Negociações nos Estados Unidos continuam

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A J&F informou ontem que as negociações com as autoridades americanas continuam normalmente, após a holding ter assinado um acordo de leniência com o Ministério Público no Brasil.

Segundo a J&F, apesar da troca de escritórios no Brasil com a saída do Trench, Rossi e Watanabe, a representação nos EUA continua a cargo do escritório Baker & McKenzie, um dos maiores do país.

Como o Baker tem uma parceria com o Trench, Rossi e Watanabe, havia uma dúvida entre advogados que acompanham o caso se o primeiro iria continuar trabalhando para a empresa. No entanto, a J&F comunicou que nada mudou no cenário das negociações com as autoridades americanas e que o Baker permanece contratado.

"A J&F contratou o escritório Baker & McKenzie para assessorar a empresa nos Estados Unidos", disse a empresa, em nota. "A companhia está cooperando completamente com as autoridades para solucionar as questões em aberto e está focada em encontrar um desfecho adequado em um prazo razoável. O acordo com o Ministério Público Federal, no Brasil, foi tratado de maneira independente".

O Baker & McKenzie é uma das maiores bancas de advocacia do mundo, com presença em 47 países e mais de 4 mil advogados.

A prática de trocar de escritório de advocacia também ocorreu com a delação dos donos da JBS. O escritório do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence estava fazendo a defesa de Joesley Batista quando foi surpreendido pela informação de que o dono da empresa havia assinado um termo de delação com o Ministério Público. Assim que soube do acordo, Pertence deixou a defesa de Joesley.

A expectativa é que a investigação envolvendo a J&F seja grande nos Estados Unidos, onde a companhia tem a maior parte de suas operações, e seus executivos podem ser processados pela legislação que pune atos de corrupção no exterior, conhecida como FCPA (Foreign Corrupt Practices Act).

O acordo do Ministério Público Federal (MPF) com a J&F, de R$ 10,3 bilhões, bateu o recorde mundial, superando os que foram negociados pelo Departamento de Justiça (DoJ, na sigla em inglês) com a Odebrecht e a Braskem, que atingiram R$ 6,9 bilhões, em dezembro. Antes, o maior acordo de leniência havia sido o da multinacional alemã Siemens, de US$ 1,6 bilhão.

Por Juliano Basile | De Washington

Fonte : Valor