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Negociações entre Vigor e Lala se aproximam da reta final

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As negociações entre a J&F Investimentos e a mexicana Lala Foods para a compra da Vigor estão mais próximas da reta final. De acordo com uma pessoa envolvida nas conversas, as discussões avançaram ao longo deste fim de semana, criando a expectativa de que o negócio possa ser fechado em poucos dias.

A Lala atribuiu um valor um pouco abaixo de R$ 6 bilhões – em torno de R$ 5,7 bilhões – para comprar 100% da Vigor e também da Itambé, na qual a empresa de lácteos brasileira tem participação de 50%, conforme a mesma fonte. Portanto, a J&F receberá um valor inferior a isso. A outra metade da Itambé pertence à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR).

No fim do ano passado, a Lala já havia feito oferta de R$ 5,4 bilhões por Vigor e Itambé, segundo uma outra fonte familiarizada com o tema. Na ocasião o valor ofertado – e recusado – foi de R$ 5,4 bilhões, sendo R$ 3,9 bi por Vigor e R$ 1,5 bilhão pela Itambé.

Na semana passada, Scot Rank, diretor-presidente da Lala, afirmou durante teleconferência com analistas que ao avaliar uma aquisição a empresa leva em conta o risco do negócio, a capacidade de operá-lo de forma bem-sucedida e o preço do ativo. Sem mencionar a Vigor, disse que "a Lala está constantemente analisando oportunidades de aquisição ou aliança estratégica".

No Brasil, esta não é a primeira vez que a companhia mexicana tenta adquirir um ativo. Já tentou no passado, por exemplo, comprar a própria Itambé e a Tirol, mas, depois de meses de conversas, os negócios não foram concluídos.

A Lala conta com assessoria financeira do banco BTG Pactual, enquanto a J&F Investimentos contratou Bradesco BBI e Santander.

Além da mexicana Lala, a francesa Lactalis chegou a fazer uma proposta pela Vigor. No entanto, a Lala saiu na frente por oferecer preço e condições mais atrativas. A mexicana decidiu fazer uma due diligence mais curta no negócio, o que satisfez os anseios da J&F Investimentos. Além disso, como a Lala não atua no Brasil, a aquisição tende a ser aprovada mais rapidamente pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acelerando a venda.

Desde a delação premiada dos irmãos Batista em maio, a holding iniciou um programa de venda de ativos. Até agora, a J&F alienou a fabricante de calçados Alpargatas, para a Cambuhy investimentos, e as unidades da JBS no Mercosul para a Minerva Foods. (Colaborou Alda do Amaral Rocha, de São Paulo)

Por Carolina Mandl | De São Paulo

Fonte : Valor