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Índios fecham rota de acesso da soja a portos no Pará

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Divulgação

Índios mundurukus e caminhoneiros em bloqueio na Transamazônica; etnia reivindica um pacote de medidas à Funai

Primeiro foi a estrada esburacada e a lama provocada pelas chuvas amazônicas, depois os garimpeiros e produtores rurais. Agora são os índios mundurukus que fecham a principal rota de acesso aos portos do Norte do país, provocando mais uma vez quilômetros de fila de caminhões de soja à espera de passagem, no ano em que a produção brasileira de grãos deve ser recorde.

A paralisação ocorre desta vez na BR-230, mais conhecida como Transamazônica, após quase 200 indígenas bloquearem a pista pouco antes da entrada de Miritituba, distrito do Pará onde foram construídos os terminais graneleiros à margem do rio Tapajós.

Desde sexta-feira, o fluxo de caminhões ocorria aos solavancos, disse o executivo de uma trading, fechando e abrindo de quando em quando, sem provocar filas críticas. Mas a tensão subiu ontem diante da falta de resposta do governo federal às reivindicações dos mundurukus. Já às 06h00 da manhã, os indígenas fecharam totalmente a pista em ambas as direções, sem previsão para abertura.

"Há pouco, eles colocaram galhos e folhas em cima da ponte e estão com dois baldes de diesel ameaçando colocar fogo [nela]. A Polícia Rodoviária Federal está na observação", relatou um funcionário local de uma outra trading.

Como nos episódios recentes, concentrados na BR-163 (que cruza a Transamazônica), dois mil caminhões com soja voltaram a parar na rodovia. As filas chegam a 10 quilômetros, segundo informações de caminhoneiros. Ainda não há estimativas de perdas. "Não é a nossa causa, mas vamos apoiar [os índios] porque está tudo parado em prol disso", disse José Claudionor, um dos caminhoneiros afetados, em vídeo que circulou ontem por grupos de whatsapp.

Os mundurukus do médio e alto Tapajós reivindicam um pacote de medidas à Funai, sendo a mais importante delas o destacamento de um coordenador regional. Desde março, a região está sem um representante da entidade, o que, na prática, encerrou o atendimento aos indígenas.

Segundo a Funai, os indígenas pedem a nomeação de Almir Macedo da Silva para a coordenação regional da entidade e mais recursos para a saúde. A nomeação aguarda aprovação do governo. (Colaborou Alda do Amaral Rocha)

(Bettina Barros e Fernanda Pressinott | De São Paulo)

  • Por Bettina Barros e Fernanda Pressinott | De São Paulo
  • Fonte : Valor