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Multa por excesso de carga barra vinda de milho

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A situação dos mais de cinco mil pequenos agricultores e pecuaristas cearenses, que já estava difícil com a seca, só tende a piorar nos próximos dias. Isto porque a maioria das empresas transportadoras de carga rodoviária, que levavam o milho necessário para alimentar o rebanho de bovinos, caprinos e suínos do Estado, estimado em 1,4 milhão de animais, se recusa a fazer o frete para o Ceará e ser multada por excesso de peso na carga ao entrar nas CEs.

O problema foi debatido nos últimos dois dias em Brasília, em reuniões entre os parlamentares cearenses o presidente da CONAB (COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO), RUBENS RODRIGUES DOS SANTOS. Segundo o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), a situação não é exclusiva do Ceará, mas sim, se repete em praticamente todos os Estados nordestinos e por este motivo uma reunião com todos os secretários estaduais de agricultura do Nordeste está marcada para o próximo dia 19, em Brasília, na CONAB.

Excesso de peso

"As empresas não querem renovar o frete. As carretas levam até 37 toneladas, nas rodovias federais. Chegam ao Ceará e vão para as CEs, e são multadas por excesso de peso. Para piorar, as carretas voltam vazias para o Centro-Oeste, principal região distribuidora do milho para o Nordeste. A CONAB vai abrir a licitação para mais 37 lotes de transporte nos próximos dias, tentando recuperar as empresas que já romperam seus contratos", explicou Gomes de Matos.

O Ceará tem um consumo mensal de 104 mil toneladas de milho, no entanto, sua capacidade de estocagem é de apenas 17 mil toneladas. Em agosto, somente 24 mil toneladas chegaram aos pequenos agricultores cearenses. "Os animais estão morrendo de fome. Temos que encontrar uma solução urgente, e esta licitação deveria ser simplificada para andar mais depressa", avaliou o deputado tucano.

Mais problemas

Dentre os problemas apontados estão as péssimas condições das estradas federais no Ceará; as multas nas balanças estaduais; e a impossibilidade de utilizar o Exército para o transporte do milho (os seus caminhões comportam carga pequena e ela precisa ser ensacada, o que encarece muito o transporte).

Navio descartado

Outra possibilidade aventada, mas já descartada, foi o transporte do alimento por navios. "Mas isto aumenta em cinco vezes o preço do transporte, já que o milho tem que ir para São Paulo ou outro porto para depois ser levado para o Pecém", explicou Raimundo Gomes de Matos.

Para o deputado cearense, a solução é a CONAB destinar o dinheiro do transporte do milho para o governo do Estado do Ceará, que contrataria as carretas para buscar o produto e voltar para casa com garantia da distribuição já durante o trajeto, nas cidades onde o produto é necessário, sem necessidade de estocagem em silos.

"Mas para isto é preciso que a Controladoria Geral da União aprove a transferência de recursos e a análise deste processo é demorada", pontua.

Fonte: PORTOS E NAVIOS | Diário do Nordeste / Ane Furtado