Mulheres de todo o país debatem assistência técnica rural

Secretária executiva do MDA, Maria Fernanda Coelho, participa da abertura da 2ª Cnater Mulheres

A ampliação do serviço de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), os casos de violência, a opressão e a falta de oportunidades no campo, são  alguns dos pontos debatidos, por cerca de 100 mulheres de todo o país, na 2ª Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para Mulheres (2ª Cnater Mulheres), que ocorre nesta quinta (10) e sexta-feira (11), em Brasília. As proposições, extraídas dos dois dias de debate, deverão compor o relatório que vai nortear as políticas do MDA pelos próximos quatro anos.

Esta é a primeira conferência temática rumo à etapa nacional da 2ª Cnater, que será realizada de 31 de maio a 3 de junho de 2016. As 30 propostas de políticas públicas definidas entre as mulheres serão encaminhadas ao documento final da conferência.

Para Maria Fernanda Coelho, secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que prestigiou a abertura do encontro, a etapa temática é um lugar “para discutir um modelo de produção que privilegia as relações humanas e afetivas, questionando o agronegócio. São espaços como esse que enchem nosso coração de esperança”.

Célia Watanabe, diretora de Políticas para Mulheres Rurais e Quilombolas do MDA, frisou a paridade de gênero nos espaços participação social como princípio fundamental, para que a igualdade de direitos seja alcançada. “Aos poucos, temos melhorado a presença e a participação das mulheres entre o público que atendemos. Precisamos reconhecer o papel das trabalhadoras na construção da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pnater)”.

Desafios
Nos últimos anos, as políticas direcionadas para as mulheres rurais têm aumentado. Contudo, Rosa dos Santos, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MA), evidencia a necessidade de ampliar ainda mais algumas ações específicas. “Até hoje, as políticas de Ater precisam ser efetivadas em muitos espaços. O que já foi feito ainda não tem atendido todas as ansiedades das mulheres que estão na roça, no extrativismo e na agricultura”, disse.

Os desafios levantados pelas representantes dos movimentos sociais, entidades, redes do campo e governo destacaram a promoção da agroecologia e da comercialização para mulheres rurais. Elas também indicam a necessidade de formação sobre a igualdade de gênero entre os povos dos campos, águas e florestas, além do acesso ao crédito e assessoria técnica para as trabalhadoras rurais.

A etapa temática de mulheres é uma realização do Comitê Permanente de Promoção de Políticas para as Mulheres Rurais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf) e da Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais do MDA.

Mulheres, Ater e Reforma Agrária
De acordo com dados do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 1986, existiam no Brasil 67 assentamentos, em 61 municípios. Em 2003, o número ampliou para 4.883 assentamentos, atendendo cerca de 500 mil famílias. Atualmente, são 9.109 assentamentos, em 2.027 municípios, atendendo a 956.780 famílias – um aumento de quase 100% em 12 anos. Isso representa 88 milhões de hectares.

Segundo dados do MDA, de 2012 a 2015, 7,2 mil mulheres foram tiveram atendimento de Ater, seis chamadas públicas para mulheres foram realizadas, e 118 técnicas e técnicos participaram das ações.

De 2004 a 2014, foram investidos mais de R$ 40 milhões em Ater, totalizando 59.305 mulheres beneficiadas.

Durante a abertura, as participantes receberam exemplares da cartilha do Fomento Mulher, linha de crédito disponibilizada pelo Incra.

Fonte : MDA