Mudanças frustram produtores e indústria de laranja

Norma que aumenta conteúdo de suco em néctares, que deveria estar em vigor há um ano, é prorrogada e setor perde chance de incrementar consumo

por Globo Rural On-line

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Com a prorrogação do prazo, indústria e produtores de laranja continuam em difícil situação no mercado

O resultado da audiência pública que aconteceu na última quinta-feira (3/7), em Brasília (DF), não foram positivos para a cadeia da laranja. Produtores de fruta e indústrias participaram de um debate que culminou com a extensão do prazo para aumento de conteúdo de suco em néctares, que passaria de 30% para 50%. Dessa forma, a ação tomada pelo Ministério da Agricultura no ano passado para minimizar os efeitos da crise, fica sem validade prática.
“Trabalhamos forte, o governo entendeu o problema e criou as normas de adequação ao Codex Alimentarius”, explica o presidente da Câmara setorial da Citricultura, Marco Antonio dos Santos. O Codex é um guia da Organização Mundial da Saúde, que propõe uma série de regulamentações para alimentação e produtos ligados à saúde humana.
O Brasil é signatário do documento e ajudou a construir o trecho que recomenda adição mínima de 50% de sucos nos néctares. Após pressões da indústria de alimentos, os prazos foram estendidos para 18 meses para que os néctares tenham 40% de suco e mais 12 meses para que o conteúdo mínimo seja de 50%. “Na prática, o que era para ser imediato se transformou em três anos”, completa.
Para o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, o resultado foi frustrante. “Produtores e indústrias trabalharam juntos nesse período para tentar promover um aumento de consumo de suco de laranja industrializado no mercado externo, mas infelizmente a regra nunca foi cumprida e agora foi mudada”, diz.
Segundo dados da entidade, o Brasil consome cerca de 55 mil toneladas de suco de laranja concentrado por ano. Contudo, é possível ampliar fortemente esse mercado. “O que acreditamos é que produtos que tenham mais quantidade de suco e, portanto, sejam mais próximos do sabor natural da fruta, será mais bem aceito pela população e todos ganharão, inclusive as indústrias que vendem o produto na prateleira.

Outro lado

Na exposição durante a audiência pública, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos argumentou que o aumento de 30% para 50% causaria um impacto de 50% no preço final do produto, causando impacto nas vendas. Além disso, disseram, são necessários, ao menos 18 meses para registro de novas formulações. “Enquanto isso, o citricultor sofre”, explica Santos, da Câmara da Citricultura.

Fonte: Globo Rural