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MPC analisa caso da Cesa

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Fonte: Correio do Povo

Medidas do governo estadual são questionadas pela Administração de Armazéns Gerais do RS

O Ministério Público de Contas (MPC) analisará denúncia feita pelo Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais do Rio Grande do Sul (Sagers) de indícios de irregularidades que prejudicariam a saúde financeira da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). Segundo o procurador-geral do MPC, Geraldo Da Camino, o documento será analisado, contudo, não há prazo para o parecer. Entre os questionamentos estão venda e alienação de unidades para pagamento de dívidas, licitação de hortos florestais, demissões e modificações no sistema de classificação que tendem a onerar produtores e cooperativas. Para o presidente do Sagers, Lourival Pereira, há uma crise de gestão. Ele rejeita até a justificativa de que filiais para até 10 mil toneladas não dão lucro e, por isso, devem ser fechadas. "Se bem administrada, a Cesa pode se sustentar."
Segundo o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, os fatos não são novos. Ele lembra que as ações foram previstas quando o governo foi empossado, no começo deste ano, com o objetivo de reorganizar a Cesa, que, segundo Mainardi, ao longo dos anos, acumulou dívidas originadas de "desmandos e irregularidades". Em seis anos, um rombo de R$ 120 milhões. Ele garante que a alienação de imóveis e as demissões de funcionários já aposentados servirão para estancar gastos e investir. "Só em 2010, o governo repassou a Cesa R$ 33 milhões para cobrir déficit."
O presidente da Cesa, Jerônimo Oliveira Junior, acrescenta que R$ 10 milhões corresponderam a acordos trabalhistas. "São 105 funcionários do quadro e 681 ações." Oliveira informou ainda que, dentro do Programa de Recuperação Fiscal (Refis), a companhia possui débito de R$ 28 milhões e junto a prefeituras mais R$ 12 milhões. Mas Oliveira afirma que, nestes casos, os pagamentos estão em dia. "O problema é que conforme o balanço, em 2010, a Cesa teve prejuízo de R$ 350 milhões."
A desativação de parte das 23 unidades preocupa do agronegócio à agricultura familiar. De acordo com o presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues, o ideal, inclusive, seria a expansão da rede. Ele enfatiza que a Cesa tem papel estratégico, atendendo de pequenos a grandes produtores, dependendo do perfil da região.
Os planos do governo incluem elevar o volume médio depositado por safra de 100 mil toneladas para 400 mil t. Ainda assim, abaixo da capacidade total de 600 mil t. Segundo o superintendente Carlos Manoel Farias, a Conab tem hoje 150 mil t estocadas na Cesa. "Algumas medidas estão criando obstáculos e, de certa forma, atrapalhando a vida do produtor. Mas entendemos que é uma fase de ajustes."