Mosca branca eleva custo no campo

Os para-brisas dos veículos que trafegam nas regiões produtoras de soja em Mato Grosso estão invariavelmente pontilhados de branco nos últimos meses. Mas o incômodo ao motorista, que não resiste a um esguicho de água no vidro, transformou-se na maior praga da atual safra 2015/16 no Estado: a mosca branca, que ajudou a inflar os gastos dos agricultores locais com defensivos nesta temporada.

"Estava acostumado a fazer uma, duas ou até nenhuma aplicação para a mosca branca. Mas já estou indo para a terceira", conta Giovani Paloschi, de Lucas do Rio Verde. A seca que atingiu Mato Grosso este ano contribuiu para a infestação do inseto, segundo o produtor. "É o ano dela", diz.

Minúscula, com seus 1 a 2 milímetros de tamanho, a mosca branca tem dado trabalho há pelo menos quatro ou cinco anos nas lavouras mato-grossenses. Mas, nesta safra, ganhou proporções mais graves. "O problema aumentou este ano porque muita gente teve perdas com a soja [devido à escassez de chuvas] e largou as lavouras. Quando deixou de cuidar, a praga aproveitou", afirma Cledson Pereira, consultor no município de Nova Mutum.

Ao sugar a folha de soja, a mosca branca libera uma substância açucarada, que provoca a fumagina. "Essa doença, causada por um fungo, escurece a folha e diminui a fotossíntese da planta, reduzindo a produtividade", explica Valmir Assarice, analista da Agroconsult.

O controle do inseto é difícil e caro. De acordo com Naildo da Silva Lopes, produtor e consultor em Nova Mutum, chega-se a gastar uma média de R$ 150 a R$ 200 por hectare na tentativa de deter a praga – um valor significativo, levando em conta o custo total com inseticidas de cerca de R$ 400 em 2015/16, estimado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para Silva Lopes, a presença da mosca branca virou um complicador maior para os produtores do que a ferrugem asiática, doença fúngica considerada uma das mais danosas à soja. "Até a helicoverpa [lagarta que dizimou lavouras há duas safras] se tornou ‘café pequeno’", diz.

Por Mariana Caetano | De Lucas do Rio Verde (MT)

Fonte : Valor