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Moratória da Cotrijui será apreciada por associados

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Assembleia tenta evitar o leilão da unidade de grãos de Chiapetta

Mateus Frizzo

COTRIJUI/DIVULGAÇÃO/JC

Poletto contesta que dívida da cooperativa divulgada por Vanderlei Fragoso alcance R$ 1,2 bilhão

Poletto contesta que dívida da cooperativa divulgada por Vanderlei Fragoso alcance R$ 1,2 bilhão

Presente em 42 municípios gaúchos e com um quadro de 19,2 mil associados, a Cotrijui promove, no próximo sábado, uma assembleia geral para definir a liquidação voluntária da entidade, na expectativa de resguardar o patrimônio, avaliado em R$ 2 bilhões, e dar início às tratativas de recuperação financeira. Na prática, a votação pretende abrir uma moratória para a renegociação da dívida de R$ 1,2 bilhão. Caso seja aprovada, a medida também possibilitará que a unidade de armazenamento de grãos da cidade de Chiapetta – avaliada em R$ 11,6 milhões – não vá a leilão, como previsto por determinação da Justiça Federal.
Vanderlei Ribeiro Fragoso assumiu a presidência da entidade há pouco mais de um ano e diz que o débito é herança da administração anterior, que ficou à frente da entidade por 18 anos. “Apuramos que os balanços contábeis não espelhavam a realidade da dívida financeira que nos foi passada, tivemos que fazer um longo plano de reestruturação para buscar o equilíbrio e sanar as dívidas, primeiramente com os próprios cooperados”, justifica. Caso seja eleito como liquidante, Fragoso pretende dar início ao terceiro estágio deste plano.
Para ele, uma decisão favorável dos associados (são 2.953 aptos a votar) daria fôlego à entidade para avaliar a melhor maneira de se quitar esta dívida. No rol de credores estão bancos públicos, privados e multinacionais. “O associado vai deliberar sobre o processo de moratória – benefício previsto nas leis das cooperativas -, que nos dará prazo de um ano, prorrogável para mais outro, para elaborar um projeto e apresentá-lo aos credores”, explica.
O ex-presidente da Cotrijui Carlos Poletto contesta os valores divulgados pelo atual gestor. “Eu não tenho como em sã consciência responder a esses números absurdos. Não sei de que forma se chegou a isso, até porque, no último balanço que fizemos, as cifras eram muitos menores”, defende. Segundo ele, o real montante da dívida não passa dos R$ 580 milhões. Poletto declara-se neutro na disputa e ressalta que sempre se colocou à disposição para ajudar a nova diretoria, mas antecipa que não participará da votação. “Depois de todos esses rumores atribuídos a mim, não há ambiente favorável para que eu me faça presente”, admite.
Dado o aval à liquidação voluntária, a direção indica que o primeiro passo será salvar a unidade de armazenamento de grãos de Chiapetta. De acordo com Fragoso, a decisão judicial que decretou o leilão do bem é resultado de uma dívida contraída em 1991, da qual a propriedade servia como garantia. O advogado Claudio Lamachia é peremptório ao afirmar que a votação de sábado definirá a sobrevivência da cooperativa. “Este é o único procedimento passível para salvarmos a Cotrijui”, afirma.
Caso seja aprovada a liquidação, o conselho administrativo será destituído, e uma nova eleição será realizada para definir o liquidante – o responsável pela administração do processo. Além do atual presidente, o grupo de oposição Terceira Via deve indicar um nome para o cargo, possivelmente o do ex-dirigente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) Rui Polidoro Pinto. “A autoliquidação é um mecanismo que pode ser útil e nos ajudaria a planejar os rumos da cooperativa”, afirma ele. Polidoro defende que o interesse do produtor vem antes de qualquer disputa de caráter político e admite que não assumiria a função de liquidante sozinho, não descartando até mesmo uma aliança com a atual gestão, caso seja esta a vontade do associado. A lei permite que mais de uma pessoa assuma o papel.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Chiapetta, Clóvis Obregão dos Santos, é importante que o associado se posicione a favor da moratória e manifeste apoio à atual gestão. “O agricultor está acreditando, tem vendido bem, estão pagando certinho, todo mundo recebendo em dia. A gente quer o melhor para os trabalhadores, e se a Cotrijui sair do município eu não sei como vai ficar”, admite. A assembleia geral extraordinária será realizada no ginásio de esportes Afucotri, no município de Chiapetta.

Fonte: Jornal do Comércio