Monsanto prevê avanço expressivo na América do Sul

A americana Monsanto, maior empresa de sementes do mundo, prevê que a área coberta com sua tecnologia transgênica Intacta dobre na América do Sul na atual safra 2015/16. A expectativa da companhia é que sejam semeados 12 milhões de hectares nesta temporada, ante os 6 milhões de 2014/15. A Intacta combina tolerância a herbicida e resistência a lagartas.

"Estamos muito felizes com esse plantio no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai", disse Rodrigo Santos, presidente da Monsanto do Brasil, em encontro com jornalistas ontem. Conforme o executivo, no país, a tecnologia da múlti está sendo utilizada por mais de 90 mil agricultores, ante cerca de 50 mil na safra passada.

No exercício fiscal encerrado em 31 de agosto de 2015, a companhia registrou vendas de US$ 1,7 bilhão no Brasil, mesmo patamar do ano anterior. Santos confirmou que os investimentos previstos para este ano no país, de US$ 150 milhões, foram realizados, mas disse que o montante que será aportado em 2016 ainda não está definido.

"Não fechamos os investimentos para 2016, mas asseguro que continuarão bastante elevados", disse. Segundo o executivo, o atual cenário econômico impõe a necessidade de ajustes à companhia, com o objetivo de reduzir custos, mas a Monsanto mantém uma visão de médio a longo prazo para o país. "Demoramos 10 a 15 anos para desenvolver novos produtos, então nosso olhar é de médio a longo prazo. E a agricultura brasileira claramente tem um diferencial competitivo muito grande".

Quando questionado sobre os rumores de que as americanas Dow Chemical e DuPont estão em negociação para uma possível fusão, Santos disse encarar o caso com "naturalidade". "Acho natural essas conversas", afirmou. Juntas, as divisões agrícolas (que incluem negócios de sementes e defensivos) de Dow e DuPont faturaram US$ 18,59 bilhões no ano passado, acima dos US$ 15,85 bilhões da Monsanto, que é a atual líder.

Santos reafirmou a intenção da Monsanto de dobrar o valor de sua ação na bolsa até 2019, em relação a 2014. E, para isso, a companhia pode seguir "independente" em seus planos de cinco anos, mas continua "aberta às possibilidades do mercado".

A desvalorização do real, concordou Santos, pode abrir possibilidades também de aquisições no Brasil, uma vez que os ativos no país ficaram mais baratos em dólar. "A Monsanto está muito criteriosa nos investimentos, e viemos investindo muito em nossa plataforma de agricultura digital. Mas se surgir oportunidades no Brasil, consideramos".

Por Mariana Caetano | De São Paulo
Fonte : Valor