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Moinho Globo, do Paraná, dobra sua capacidade

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Com investimentos de R$ 100 milhões, o Moinho Globo, um dos maiores do Paraná, concluiu no início do ano a construção de sua segunda unidade de processamento de trigo. Localizada em Sertanópolis, a planta mais que dobra a capacidade de produção da empresa.

Fundado em 1954 no município do norte paranaense, o Moinho Globo encerrou 2016 com receita líquida de R$ 178,9 milhões, 1,4% mais que em 2015, quando as vendas caíram 7%. Com o aumento da capacidade, a expectativa é que o faturamento alcance R$ 250 milhões neste ano e R$ 300 milhões em 2018, segundo Paloma Venturelli, acionista e vice-presidente da companhia.

A nova planta de Sertanópolis, que começou a operar em fevereiro e é voltada principalmente à produção de farinhas "premium", deve se tornar a principal do grupo. Ainda está funcionando com 70% da capacidade instalada, mas a plena carga pode chegar a 600 toneladas por dia (219 mil toneladas por ano). A fábrica mais antiga, situada no mesmo município, está rodando com 40% da capacidade total, de 450 toneladas por dia (164,2 mil toneladas ao ano).

"O foco é na nova unidade, até pela tecnologia nova", afirmou a acionista. A planta recém-construída é totalmente automatizada e as máquinas são controladas por um software. E, diferentemente da planta mais antiga, a nova está fora do centro de Sertanópolis, o que facilita a logística de recebimento do trigo e de escoamento de farinha.

A construção começou em 2014, quando o país ainda não estava em recessão. Mas, mesmo após dois anos de deterioração do mercado doméstico, a executiva não se arrepende da decisão. "Iniciamos as obras no momento certo. Foi pouco antes da piora da crise e do aumento da taxa de juros", disse. Em sua avaliação, embora a perda do poder de consumo ainda esteja se aprofundando no país, a demanda por farinhas não tem sido afetada "intensamente".

O perfil de atuação do Moinho Globo confere à empresa uma certa blindagem. Do volume de farinha produzida, 60% são destinados ao mercado varejista, que costuma ser o último afetado pela crise, enquanto 40% vão para clientes comerciais – padarias, transformadoras e indústrias alimentícias. Segundo a vice-presidente, o maior sinal de crise percebido pela companhia atualmente é o aumento da inadimplência por parte dessas indústrias.

Dos R$ 100 milhões investidos no novo moinho, R$ 60 milhões foram financiados pelo BNDES. O crédito foi liberado em 2014 com dois anos de carência e prazo de dez anos de pagamento. E o objetivo é continuar investindo nos próximos anos. Nas instalações da nova unidade há espaço para mais máquinas processadoras, o que pode levar a capacidade de moagem da moinho a mil toneladas por dia. A meta é concretizar esse aumento de capacidade em 2019.

Ainda neste ano, o Moinho Globo planeja mais um aporte, de R$ 15 milhões, para aumentar sua capacidade de armazenagem de trigo em grão, atualmente de 31 mil toneladas, para 41 mil. Para tal, a companhia espera mais uma vez receber apoio do BNDES.

Apesar das incertezas macroeconômicas, a vice-presidente da companhia crê que o único fator que pode levar a mudanças na rota planejada é uma eventual nova mudança na tributação do segmento, que recentemente viu a alíquota de ICMS sobre os derivados de trigo subir no Estado.

(Camila Souza Ramos | De São Paulo)

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor