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Moagem de cana em alta na São Martinho

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Com três usinas em São Paulo e uma em Goiás, com capacidade para processar cerca de 24 milhões de toneladas de cana por safra, o grupo São Martinho avalia que tem condições de moer uma quantidade de matéria-prima mais próxima desse teto na próxima safra (2018/19) se o clima dos próximos meses favorecer as lavouras.

Atualmente, as usinas do grupo estão operando com cerca de 93% da capacidade instalada. Contudo, essa utilização pode chegar a 97% ou 98%, afirmou Felipe Vicchiato, diretor financeiro da empresa, em teleconferência realizada ontem com analistas.

Ao Valor, o executivo explicou que a taxa atual de utilização ainda reflete o clima adverso do ano passado e que esse não é o padrão para a companhia. "Mas temos hectares suficiente para chegar [à capacidade instalada]".

A estimativa de moagem para esta safra é de 22,3 milhões de toneladas de cana, enquanto a expectativa para o rendimento industrial é de 133,5 quilos de açúcares totais recuperáveis (ATR) por tonelada de cana moída.

Sem novos aportes na parte industrial nesta safra, a empresa tem apostado no aumento da produtividade nas lavouras para otimizar o uso de suas usinas. No último verão, a empresa começou a realizar plantios através da técnica de mudas pré-brotadas por meiosi, que economiza hectares em relação ao método de mudas pré-brotadas convencional.

Com a ocupação dessa área, que costuma ser destinada para desenvolver as mudas, os canaviais da empresa podem entregar 800 mil a 1,1 milhão de toneladas de cana adicionais por safra quando o sistema de mudas pré-brotadas por meiosi for adotado integralmente, estimou Vicchiato. "Isso dá fôlego para, mesmo em ano de produtividade ruim, chegar a 98% a 99% de capacidade industrial", indicou o executivo na teleconferência.

Vicchiato também afirmou que a companhia deverá começar a fixar os preços do açúcar a ser exportado na safra 2018/19 (que começa em abril) em meados de setembro.

A velocidade da fixação, porém, "não vai ser muito grande" e será feita "do ponto de vista da disciplina" para a programação financeira da empresa, disse.

O cenário para os fundamentos de mercado com o qual a empresa trabalha é de um excedente de produção global de açúcar de até 4 milhões de toneladas na safra internacional 2017/18, que começa em outubro. Essa expectativa não considera eventuais adversidades climáticas que possam afetar a produção da União Europeia e de países como Índia e Tailândia.

  • Por Camila Souza Ramos | De São Paulo
  • Fonte : Valor