Mão de obra, preocupação em MT

O maquinário agrícola de Mato Grosso, maior Estado produtor de grãos do país, foi renovado há apenas cinco anos, mas falta mão de obra treinada para operar esses equipamentos. Essa é umas das principais conclusões de uma pesquisa sobre mecanização encomendada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) ao Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e divulgada ontem, em Cuiabá. O Imea ouviu 318 produtores de 59 municípios, que cultivam uma área total de 710 mil hectares, equivalente a 8% de toda a área de soja do Estado.

Como o maquinário agrícola local é recente, 66% dos produtores entrevistados disseram não ter interesse em investir em novas máquinas. Até porque a conjuntura é adversa, com muitas incertezas ligadas a crédito e mesmo às margens da próxima safra. De qualquer forma, realça o gerente de projetos do Imea, Daniel Latorraca, chamou a atenção na pesquisa o fato de 42% desses agricultores alegarem que já adotam técnicas de agricultura de precisão. Ele lembra que essa tendência se concentra nas regiões onde a atividade agrícola é desenvolvida há mais tempo no Estado e onde, coincidentemente, também há o maior nível de utilização de máquinas.

É assim nas regiões oeste – onde estão os municípios de Campos de Júlio, Campo Novo do Parecis e Sapezal, por exemplo – e sudoeste (Rondonópolis, Primavera do Leste e Campo Verde). Ambas registraram os maiores níveis de utilização de agricultura de precisão – 54% e 52%, respectivamente. Quando o estudo aprofunda os dados sobre a adesão dos agricultores a determinadas técnicas, entretanto, as médias recuam. De acordo com os resultados da pesquisa divulgada ontem, 41% dos agricultores mato-grossenses fazem mapa de fertilidade, 18% adotam mapa de colheita e apenas 15% trabalham com mapa de pragas.

Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Rui Prado, o maior gargalo que impede o avanço do uso de agricultura de precisão no Estado é justamente a carência de mão de obra. "Nossa maior preocupação é como treinar pessoal para operar essas máquinas. Para 88% dos produtores no Mato Grosso, o maior gargalo na agricultura de precisão é a falta de mão de obra capacitada", afirmou o dirigente.

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Fonte: Valor | Por Cristiano Zaia | De Cuiabá