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Minoritários buscam ação civil contra a JBS

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A JBS poderá enfrentar em breve uma disputa judicial no país envolvendo a Associação dos Investidores Minoritários (Aidmin). Por determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa de carnes terá de enviar à entidade seu livro de acionistas. O objetivo é reunir detentores de papéis que somem pelo menos 5% do capital para abrir, em breve, uma ação civil pública contra a companhia, em razão dos prejuízos com as ações.

O vice-presidente da Aidmin, Aurélio Valporto, informou ao Valor que os advogados da associação receberam nesta terça-feira uma carta do diretor de relações com investidores da JBS, Jeremiah O’Callaghan, confirmando que a lista de acionistas será encaminhada. O grupo de minoritários já havia solicitado à empresa a relação, mas o pedido foi negado, sendo necessário então recorrer à CVM.

Procurada, a JBS confirmou que atenderá o pleito da associação de minoritários, mas não quis comentar o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, não há prazo para o envio da relação de acionistas.

Em carta à Aidmin, à qual o Valor teve acesso, a JBS diz que caberá à associação a responsabilidade por utilizar as informações, "incumbindo-lhe resguardar sigilo dos dados", sob pena de responsabilização por eventuais abusos ou ilegalidades que venham a ser praticados.

Valporto não quis revelar detalhes da ação, mas garantiu que a medida está pronta e esperando os desdobramentos referentes à assembleia de acionistas convocada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para discutir a saída da família Batista do comando da JBS. A questão envolve os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da holding J&F, que é controladora da JBS.

Desde 17 de maio, quando vieram à tona as gravações de Joesley com o presidente Michel Temer e detalhes da delação premiada do empresário, o valor de mercado da JBS teve queda de 30,5%, passando de R$ 25,9 bilhões para R$ 18 bilhões no fechamento de ontem na B3. Nesse intervalo, o momento mais agudo ocorreu em 22 de maio, quando em um só dia o valor da empresa na bolsa encolheu R$ 7,45 bilhões, após as ações registrarem recuo expressivo de 31,34%.

Além de buscar um possível ressarcimento para os minoritários que integram a Aidmin, Valporto defende mudanças na gestão da companhia. "Entre os nossos objetivos também está tirar os irmãos Batista do comando. Era uma medida que já queríamos antes, e o BNDES se baseou no nosso pedido", afirmou. "Mas agora estamos analisando outras medidas contra a empresa."

Por Paula Selmi | De São Paulo

Fonte : Valor