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Ministério da Agricultura estuda retirar a saponina das vacinas contra aftosa

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Em meio à pressão dos exportadores de carne bovina para alterar a formulação da vacina contra o vírus da febre aftosa, a indústria veterinária propôs ao Ministério da Agricultura a retirada da saponina da composição do medicamento.

A substância, que estimula o desenvolvimento da imunidade ao vírus, é apontada como uma das responsáveis pelas reações que geraram abscessos e granulomas na carne. A aplicação incorreta nas fazendas também é uma das causas. Em decorrência disso, os EUA embargaram, em junho, a carne bovina in natura produzida no Brasil.

De acordo com o Ministério da Agricultura, a retirada da saponina está em análise. "Mudanças na composição e na dosagem requerem novos testes para garantir a manutenção da qualidade da vacina", informou a Pasta, em nota.

Autor do pedido para a retirada da saponina, o Sindan, que representa a indústria veterinária, informou ontem que a vacina sem saponina deve estar disponível na segunda etapa da campanha da vacinação contra aftosa de 2018, no mês de novembro. Para tanto, ainda precisa passar pelo processo de validação no Ministério da Agricultura.

Ao Valor, o presidente em exercício do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC), o veterinário Sebastião Guedes, também defendeu a retirada da saponina. Segundo ele, a substância provoca os chamados "abscessos assépticos" – inflamação que não é causada por uma bactéria.

Mas o presidente do CNPC criticou a indústria veterinária. Guedes afirmou que a saponina foi introduzida sem recomendação do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), com o intuito de reduzir capital de giro. Com a saponina, disse, a imunidade na primeira aplicação da vacina no gado bovino se manifesta em 28 dias. Sem ela, apenas em 56 dias. Na prática, a indústria veterinária terá de estocar a vacina por mais tempo, ressaltou.

O CNPC também defende que o Ministério da Agricultura recomende somente a aplicação da vacina por via subcutânea, vedando a intramuscular. (Colaborou Kauanna Navarro).

 

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor