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Minerva deve ser a mais afetada por restrições, diz Bradesco BBI

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As restrições às carnes brasileira em decorrência da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, devem atingir de forma mais expressiva os resultados da Minerva Foods, empresa com maior exposição ao mercado externo de carne bovina. Países que absorveram cerca de 55% do volume de carnes exportadas pelo Brasil em 2016 impuseram restrições temporárias aos produtos brasileiros.

Segundo análise do Bradesco BBI, assinada por Gabriel Lima, a companhia pode sofrer redução de até 13% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) em 2017. O cálculo considera a perda potencial de venda caso China, Hong Kong, Egito, Emirados Árabes, México e Chile mantenham restrições para todas as proteínas por 30 dias.

As exportações de carne bovina chegam a representar 35% da receita com as vendas totais da Minerva. O Bradesco BBI ainda prevê que a companhia obterá Ebitda de R$ 1,067 bilhão neste ano, avanço de 8% ante o ano passado. Com relação ao lucro, a previsão é de que o ano feche em R$ 351 milhões, alta de 80% ante o ano anterior.

A segunda companhia que mais pode ser mais afetada pelas restrições é a Marfrig, que também tem grande exposição às exportações de carne bovina. As vendas externas das unidade brasileiras da empresa representam 23% de sua receita. E o impacto no Ebitda anual seria uma queda de 9%.

Por sua vez, a BRF sofreria com perda de 7% no Ebitda deste ano, segundo o Bradesco BBI. A companhia obtém 32% de sua receita com exportações de carne de frango a partir do Brasil.

Nesse cenário, a JBS seria a companhia menos prejudicada em termos operacionais. A análise aponta para redução de 3% no Ebitda. No setor, a empresa da família Batista é a que tem a melhor distribuição de risco com exportações. A participação das vendas de produtos de carne bovina ao mercado externo a partir de plantas no Brasil na receita chega a 5%, a de carne frango corresponde a 4%, e a de carne suína a 1%.

O analista avalia que as restrições impostas ao mercado brasileiro de carnes não devem durar muito tempo, já que os países são altamente dependentes dos produtos brasileiros. "O Brasil representa 60% das importações de frango do Oriente Médio, 40% da Europa, 80% do Japão e 40% da China", afirma o analista. Segundo ele, as restrições podem durar até o fim dos estoques de carne nesses países, o que pode chegar a até seis meses.

Gabriel Lima pondera, ainda, que muitos dos produtos exportados pelo Brasil para esses países têm características bastante específicas e, por isso, as possibilidades de realocação são limitadas.

O efeito líquido nos resultados das empresas exportadoras do setor dependerá muito da duração da suspensão das compras. O pior cenário, segundo o Bradesco BBI, seria uma suspensão de três meses, afetando negativamente os preços domésticos para o restante do ano.

O relatório não considera os efeitos negativos com relação à confiança nas marcas das companhias envolvidas na operação. Assim como não abrange os possíveis efeitos no mercado doméstico.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor