Minas Gerais adota ferramenta para agilizar CAR

Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial de Minas Gerais discutiu dificuldades dos cafeeiros na Expozebu

7 de Maio de 2015 às 20:31Henrique Bighetti | Uberaba (MG)Canal Rural
Atualizado em: 7 de Maio de 2015 às 21:16

Fonte:Canal Rural

A Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial de Minas Gerais se reuniu nesta quinta, dia 7, em Uberaba, para discutir as políticas públicas do setor. No evento, o secretário de agricultura do estado falou sobre a nova plataforma adotada para a regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O encontro também debateu os impactos para o setor com o atraso do anúncio do Plano Safra.

Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais, até início do mês de abril, menos de 15% das 550 mil propriedades rurais estavam inscritas no sistema estadual. Nos próximos meses, os dados devem ser transferidos para a plataforma do governo federal.

– Essa migração dos dados da plataforma de Minas para o governo federal, ela não é barata e precisa de uma customização, mas o Ministério do Meio Ambiente assumiu o compromisso com o nosso secretário de Meio Ambiente de pagar esse custo que é mais de R$ 1 milhão. Com isso, nós esperamos que o CAR seja uma realidade para os produtores mineiros, até para a segurança jurídica deles – relata o secretário estadual de Agricultura, João Cruz Reis Filho.

Durante o evento, o secretário também falou sobre a insegurança dos produtores rurais diante do atraso no anúncio dos recursos para 2015:

– O aumento das taxas de juros nos preocupa, especialmente nas linhas de investimento, o custeio até, que é uma atividade de ciclo mais curto, você consegue superar, mas uma operação de investimento de ciclo mais longo, com a taxa de juros maior, realmente gera uma certa insegurança por parte dos produtores rurais mineiros.

O café, principal commodity do agronegócio de Minas Gerais, deve ser um dos setores mais prejudicados com o atraso do Plano Safra. Em muitas regiões, a colheita do grão começa neste mês, e muitos produtores irão iniciar os trabalhos sem conhecer os recursos para colheita e estocagem do produto.

Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entre abril de 2014 e março desse ano, o custo de produção do café aumentou cerca de 6,37%. Nas regiões montanhosas, onde a colheita é manual, os gastos ficaram em mais de R$ 200 por saca.

– Nós sabemos que no Cerrado, como é mais mecanizado, o produtor consegue ter uma rentabilidade um pouco maior, mas não quer dizer que está ótimo, precisa melhorar. O governo precisa olhar para a questão dos juros, incentivos, preços firmes para o café. O Funcafé que foi anunciado, mas de fato ele não existe, e o produtor enfrenta muitas dificuldades no café – reclama o presidente do Núcleo dos Sindicatos Rurais do Triângulo Mineiro e Alto do Paranaíba, Weber Fernandes.

Ao final da reunião foi entregue uma carta aos membros da assembleia, com as principais reivindicações do setor. Entre os pedidos, está a redução do ICMS para máquinas e implementos agrícolas no estado.

– Nosso boi, nosso leite é mais barato que o estado de São Paulo, Goiás, porque indústria de processamento tem o incentivo de transformação, mas ela não repassa parte desse incentivo para o produtor no campo – protesta Romeu Borges, presidente do Sindicato Rural de Uberaba.

Fonte: Ruralbr