Milho valorizado estimula safrinha

A seca que retardou o plantio da atual safra de soja em Mato Grosso não deve diminuir o ânimo dos agricultores para a segunda safra (a safrinha) de milho, semeada após a colheita da oleaginosa. A disparada dos preços do grão no país, embalada pela forte demanda externa, tende a levar muitos produtores a ultrapassar a janela ideal de cultivo (que se encerra em meados de fevereiro) para tirar o máximo proveito da valorização da commodity, apesar da insegurança climática.

"Muitos agricultores chegaram a devolver parte do pacote [de insumos] no fim do ano. Mas agora acredito que a área prevista não diminua", diz Luiz Carlos Gonçalves, presidente do Sindicato Rural de Nova Mutum. Na região, a saca de milho já subiu quase 30% desde o início de janeiro no mercado spot, a pouco mais de R$ 24. Nas contas da Agroconsult, a rentabilidade da safrinha no médio-norte de Mato Grosso crescerá 3% este ano, para R$ 298,6 por hectare.

As previsões climáticas até indicam chuvas entre abril e maio, conforme Celso Oliveira, da Somar Meteorologia. O problema é que não serão frequentes, nem de grandes volumes. "Entre uma chuva e outra, nada impede que haja 30 dias de tempo seco, pegando a planta em uma fase ainda vulnerável", diz Oliveira.

Mas para os que tiveram perdas com a soja, é a chance de tentar minimizar os prejuízos, por isso não está descartado um aumento no plantio. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) estima um avanço de 2% na área de milho safrinha no Estado, para 3,38 milhões de hectares. Mais da metade da colheita prevista, de 19,4 milhões de toneladas, já está vendida.

A decisão sobre o nível de tecnologia a ser empregado nesta safrinha ainda divide os produtores. Jesur Cassol, que cultiva mais de 5 mil hectares em Campo Novo do Parecis, já decidiu que investirá menos. "Até porque se eu não conseguir plantar milho, posso entrar com o girassol na minha região", explica. Lucas Beber, ao contrário, aumentará a tecnologia em seus 1,23 mil hectares em Nova Mutum. "Se baixar o investimento, piora o preço", afirma.

Por Mariana Caetano | De Nova Mutum (MT)

Fonte : Valor