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Milho pode garantir novo recorde em grãos em 2011/12

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Destaque maior da temporada agrícola 2011/12 no país, a segunda safra de milho não só catapultou o cereal para a liderança da produção brasileira de grãos, à frente da soja, como será capaz de evitar a queda da colheita total de grãos e compensar parte das altas de preços dos alimentos nos primeiros meses do ano no país em razão da quebra da safra de verão.

Segundo levantamento divulgado ontem pela Conab, a "safrinha" de milho, como, ironicamente, é conhecida a segunda safra que está sendo colhida, alcançará 34,6 milhões de toneladas, 5,1% acima do previsto em junho e quase 61% mais que no ciclo anterior. Por muito pouco o volume não superou o da safra principal, calculada em 34,9 milhões de toneladas, 2,8% menor que em 2010/11 em virtude da seca na região Sul.

No total, portanto, a produção brasileira de milho deverá atingir, segundo a Conab, 69,5 milhões de toneladas em 2011/12, 21% mais que em 2010/11. Como a colheita de soja foi até mais prejudicada que a de milho no verão e caiu para 66,4 milhões de toneladas, queda de praticamente 12%, o milho voltou a ser o principal grão do país em volume, após uma década atrás da oleaginosa – que, nesse período, firmou-se como o carro-chefe do agronegócio nacional.

Graças ao cereal, a produção total de grãos do Brasil deverá chegar a 162,6 milhões de toneladas em 2011/12, 0,8% mais que o projetado em junho e, agora, apenas 0,1% que a safra anterior, que foi recorde. Em fevereiro, quando o tamanho das quebras da soja e do milho no verão era incerto e a safrinha de milho estava sendo plantada, a estimativa da Conab sinalizava que a produção total seria pelo menos 5,7 milhões de toneladas menor.

"A safra passada foi uma superssafra e o próximo ajuste de dados deverá mostrar um recorde. Isso se deve ao bom desempenho do milho segunda safra, que cobrirá os prejuízos causados pela seca", afirma o diretor do departamento de Comercialização e de Abastecimento Agrícola e Pecuário do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães, em comunicado.

Se a safra de inverno de milho foi o destaque da temporada, Mato Grosso, conhecido por liderar o plantio de soja, foi a estrela da safrinha. No Estado, a área de plantio da segunda safra do cereal cresceu quase 43%, a produtividade subiu, com a ajuda do clima favorável, e a colheita deverá atingir 12,6 milhões de toneladas, 74% maior que em 2010/11. Em segundo lugar nesse ranking, o Paraná deverá produzir 10,3 milhões de toneladas, salto de 66,5%.

De olho na elevada rentabilidade da safra de inverno de milho, inflada pelos elevados preços internacionais da commodity, produtores mato-grossenses normalmente mais preocupados com soja e algodão ajustaram o foco. Foi o caso de Eraí Maggi Scheffer, que comanda o Grupo Bom Futuro, que plantou 77 mil hectares com o cereal na safrinha em curso e planeja chegar a 100 mil na próxima, como informou recentemente o Valor. Graças à safrinha, o Bom Futuro consolidou-se como o maior produtor de milho do país.

Estimativas divulgadas pelo Banco do Brasil em junho sinalizaram margem média de R$ 1.457 por hectare para o milho no Paraná no ciclo 2012/13, ante R$ 556 em 2011/12 (nível baixo por causa da seca no verão) e R$ 1.393 no ciclo 2010/11.

Se o incremento da produção nacional de milho é considerada uma boa notícia para quem está preocupado com a inflação, sobretudo pelo impacto de seus preços nas rações e, assim, na produção de carnes, quedas nas ofertas de arroz e feijão podem exercer pressões "altistas". A colheita de arroz foi ajustada pela Conab para 11,6 milhões de toneladas, 15,1% menor que em 2010/11, e a de feijão passou a ser estimada em 2,9 milhões, uma baixa de 21,4%.

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Fonte: Valor | Por Tarso Veloso e Fernando Lopes | De Brasília e São Paulo