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Milho: governo busca "alquimia perfeita" para garantir abastecimento interno

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A pedido do ministro da Agricultura, MDIC está monitorando as exportações; para a Conab, governo está analisando volume de estoque necessário

por Globo Rural On-Line, com informações da Agência Estado

O presidente da Conab ressaltou que o governo deve contar com mecanismos para evitar que as vendas externas de grãos coloquem em risco a segurança alimentar

A exportação de 2,7 milhões de toneladas de milho em agosto, recorde para um mês, acendeu no governo federal o sinal amarelo sobre a necessidade de recomposição dosestoques oficiais do cereal para enfrentar os períodos de alta expressiva das cotações e atenuar o impacto sobre ospreços das proteínas animais. Nesta segunda-feira (3/9), oministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), disse que, a pedido do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, está monitorando as exportações do grão para evitar desabastecimento interno. Já o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento(Conab), Rubens Rodrigues dos Santos, disse que o governo está analisando "a alquimia perfeita" em relação ao volume de estoque que seria necessário para garantir o abastecimento interno.
Ao comentar sobre a possibilidade de restrição às exportações de milho, Santos afirmou a lei de oferta e demanda deve ser respeitada, "pois mercado é mercado", mas ressaltou que o governo deve contar com mecanismos para evitar que as vendas externas de grãos coloquem em risco a segurança alimentar e pressionem os índices inflacionários, uma vez que o milho representa 70% dos custos de produção de aves e suínos. De janeiro a agosto deste ano, o MDIC registrou um aumento de 31% do valor exportado de grão de milho na comparação com igual período de 2011.
De acordo com o presidente da Conab, a disparada nas exportações de milho nos últimos dois meses é um dos fatores responsáveis pelas dificuldades enfrentadas pela empresa para remover milho de Mato Grosso e Goiás para atender pequenos criadores de municípios da região Nordeste e do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Ele explicou que a demanda por caminhões inflacionou os valores dos fretes e reduziu o interesse das transportadoras pelo cumprimento dos contratos assumidos com a Conab, pois as viagens são mais longas e não têm garantia de carga no retorno a origem.
Uma das estratégias da Conab para contornar a falta do interesse das transportadoras pela remoção do milho da Conab é contar com o apoio do Exército, que cederia caminhões para realizar o transporte. Uma das ideias da Conab é ensacar o milho na origem, uma vez que os armazéns da região Nordeste não têm estrutura para granéis. A seca que provocou forte quebra na produção nordestina de grãos aumentou a procura na região pelo milho dos estoques oficiais do governo, que é vendido a R$ 18,12/saca, bem abaixo dos R$ 40 praticados nas principais praças. No interior o produto chega a ser vendido a R$ 50/saca. O número de produtores cadastrados para comprar milho do governo, que era de 33,8 mil nos últimos anos, saltou desde junho para 132,4 mil.
O presidente da Conab afirmou que o Ministério da Agricultura continua negociando com o Ministério da Fazendaautorização para compra de milho a preços de mercado nas regiões produtoras do oeste da Bahia, Maranhão e Tocantins, pois com o frete o cereal chegaria às regiões de consumo do Nordeste a preços finais inferiores ao do transportado a partir de Mato Grosso e Goiás. Santos diz que no médio prazo a Conab deve rever sua política de armazenagem e investir na construção de silos nas áreas de nova fronteira, que serão estratégicos para atender a região Nordeste nos períodos de frustração de safra por causa da seca.

Fonte: Globo Rural