Milho ‘engorda’ a colheita recorde de grãos

Graças à segunda safra de milho, a colheita recorde de grãos no país na safra 2014/15 será ainda maior que a prevista até o mês passado. Em levantamento divulgado ontem, a autarquia elevou sua projeção para a "safrinha" do cereal para 54 milhões de toneladas, 4,7% mais que o previsto no cenário traçado em junho e volume, também recorde, 11,6% superior ao registrado no ciclo 2013/14.

Maior que a produção de verão já há alguns ciclos, a segunda safra levará a produção total de milho a 84,3 milhões de toneladas, 5,3% mais que na temporada passada. "Temos constatado produtividades muito altas de milho. Em algumas regiões de Mato Grosso [que lidera o plantio da segunda safra no Brasil], há casos de mais de 100 sacas [de 60 quilos] por hectare", afirmou João Intini, diretor de Política Agrícola e Informações da Conab.

Dos cultivos mais importantes no campo brasileiro, o incremento estimado para o milho safrinha só é menor que o da soja, carro-chefe do campo nacional. De acordo com a Conab, o aumento na comparação com 2013/14 chega a 11,7%, para 96,2 milhões de toneladas. Esse volume representa quase metade (46%) da colheita total de grãos esperada, incluindo todas as culturas de inverno, o trigo entre elas – 208,8 milhões de toneladas, 7,9% mais que no ciclo anterior e maior volume da história. Em linha com a Conab, o IBGE divulgou, também ontem, que a produção brasileira de grãos totalizará 209 milhões de toneladas.

Além de também ter elevado sua estimativa para a safrinha de milho, o IBGE reduziu, como a Conab, sua projeção para a colheita de trigo, mesmo que para um patamar ainda bastante elevado para os padrões brasileiros. Conforme o instituto, serão 7,2 milhões de toneladas; para a autarquia, a colheita ficará em 7 milhões de toneladas, 17,2% acima do ano passado.

Conforme informações dos dois órgãos, a produção poderia ser maior não fossem condições meteorológicas adversas em alguns momentos do desenvolvimento da cultura nos dois principais Estados produtores – Paraná e Rio Grande do Sul, nessa ordem.

Por Fernanda Pressinott, Bettina Barros, Cristiano Zaia e Alessandra Saraiva | De São Paulo, Brasília e do Rio.

Fonte : Valor