MILHO – Agricultor será cauteloso ao investir na safrinha de milho, avalia Monsanto

Para executivo da empresa, não deve haver, no entanto, redução de área em relação ao ciclo passado

agricultura_milho_ (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

Área plantada com milho na safra de verão deve ser de 20% a 30% menor que a registrada no ciclo 2016/2017 (Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

A área plantada com milho na segunda safra 2017/2018 não deve diminuir em relação à safra passada, mas o agricultor deve ser mais cauteloso na hora de investir em sementes e agroquímicos. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (6/12) pelo CEO da Monsanto para a América do Sul, Rodrigo Santos, em São Paulo (SP).

“A safrinha tem uma característica que o agricultor toma a decisão em cima da hora, diferente da soja. Isso pode mudar. Hoje, o produtor está fazendo um análise de investimento mais cautelosa para a safrinha”, disse.

Para o executivo, o principal efeito dessa cautela dos investimentos deve ser percebido no segmento de sementes. No entanto, deve haver reflexo também nos agroquímicos. A depender do pacote tecnológico que escolher, o agricultor pode optar por um defensivo de custo mais baixo, por exemplo.

 

“Em um momento como esse, quando você vê um preço de milho como esse que está no Brasil, o agricultor reduz investimentos. Isso é histórico. A gente acredita que área plantada pode ser semelhante à do anos passado, mas pode haver redução de investimento em vários insumos”.

Uma eventual mudança de postura dependeria de fatores como as condições climáticas na época da colheita da soja e do comportamento dos preços das commodities agrícolas. O atraso no plantio da oleaginosa no versão trouxe preocupações em relação à janela de semeadura da safrinha de milho.

Rodrigo Santos avaliou ainda que a área plantada com milho na safra de verão deve ser de 20% a 30% menor que a registrada no mesmo ciclo na safra 2016/2017. Já no caso da soja, com o agricultor demorando mais para ir ao campo em função do clima, não deve ser um ano fácil, mas a expectativa é de resultado positivo.

“Vai ser um ano desafiador para o agricultor e para nós que trabalhamos com agricultura. O agricultor está pressionado pela equação de custo e rentabilidade”, afirmou o executivo.

Parceria com startups

O encontro com os jornalistas serviu para a Monsanto anunciar uma parceria com três startups brasileiras ligadas à agricultura para expandir a atuação da Climate. Além de oferecer seu próprio serviço de agricultura digital, o sistema servirá como uma plataforma, agregando serviços de outras empresas.

No mercado brasileiro, as agritechs parceiras atuam em áreas como gestão da propriedade e análise agronômica. Modelo semelhante vem sendo adotado nos Estados Unidos, onde já foram feitos acordos com outras três startups. O serviço delas também estará disponível para o cliente brasileiro e o mesmo deve acontecer com as parceiras aqui em outros países.

Atualmente, os serviços da subsidiária da Monsanto abrangem uma área de 48 milhões de hectares nos diversos países onde a tecnologia está disponível. No mercado brasileiro, onde começou a operar comercialmente neste ano, está presente em mais de 550 mil hectares.

Atuando com outras startups, na prática, a Monsanto oferece a essas empresas menores o acesso a sua base de clientes. De outro lado, agrega à sua plataforma serviços que têm a intenção de oferecer e que já estão disponíveis no mercado, sem a necessidade de um aporte de recursos específico para desenvolvê-los.

“A agricultura digital tem potencial de maximizar as inovações. Mas não há nenhuma empresa, nem a nossa, que tenha a pretensão de desenvolver soluções para toda a cadeia”, afirmou Santos.

“De uma hora para outra, o parceiro passa a ter acesso à nossa base de clientes. Estamos facilitando essa troca de informação”, acrescentou Pedro Rocha, gerente de Produto Climate para a América do Sul.

 

Os executivos explicaram ainda que a precificação do serviço de cada empresa continuará a ser feito de forma independente. No caso da Climate, o custo é de R$ 980 pelo aparelho que faz a conexão e a transmissão dos dados, além de R$ 15 por hectare a ser monitorado na propriedade rural.

“Não estamos vendendo pacotes nem determinando modelos de negócio. O parceiro será responsável por melhorar e precificar seu produto. E estamos abertos para outros parceiros”, garantiu Rocha.

A estratégia de parcerias é aplicada em um momento de crescimento do número de novas empresas de tecnologia, em geral, e na agropecuária, em particular. Segundo Rodrigo Santos, entre 2014 e 2017, cerca de US$ 10 bilhões foram investidos nesse tipo de empreendimento. “Eu gostaria que o Brasil tivesse um ambiente fomentador de inovação maior”, observou Santos.

Atualmente, em suas diversas áreas de atuação, a Monsanto investe por ano cerca de US$ 1,6 bilhão. A maior parte é destinada à área de sementes, no melhoramento convencional (desenvolvimento de cultivares híbridas) e na biotecnologia, onde entram as pesquisas na área de transgenia e edição genômica, esta última prioritariamente nos Estados Unidos.

A expectativa é ver esse volume de recursos deve aumentar a partir da fusão com a alemã Bayer, em fase de análise por autoridades de defesa da concorrência pelo mundo. Até agora, a operação já recebeu 12 aprovações, mais ainda faltam mercados importantes, como Estados Unidos, Brasil e União Europeia. A expectativa é de conclusão no início do ano que vem.

“A raiz desse negócio é inovação”, disse Rodrigo Santos, ao ser questionado sobre andamento do processo de fusão. “O objetivo é agregar mais investimento e o digital será uma grande plataforma. Estamos otimistas de que, juntas, Bayer e Monsanto vão desenvolver mais a plataforma digital na agricultura”, acrescentou o executivo.

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE SÃO PAULO (SP)

Fonte : Globo Rural