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Meta da COP-21 exige aporte de US$ 31 bi em etanol, diz CNI

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Estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que as usinas sucroalcooleiras terão que investir US$ 31 bilhões para expandir sua produção de etanol até 2030 de forma que o país cumpra a meta de emissões de gases de efeito estufa prometida na Conferência do Clima de Paris (COP-21), em 2015. Apesar de o acordo da capital francesa falar em "bioenergia" em geral como alvo da meta, a pesquisa da CNI é focada na área de etanol.

O capital calculado pela pesquisa, elaborada pelo professor Marcos Fava Neves, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP), inclui investimentos em aquisição de equipamentos, na instalação de novas usinas e na renovação de canaviais. Na COP-21, o Brasil se comprometeu a ampliar para 18% a participação dos biocombustíveis em sua matriz energética até 2030.

A CNI lembra que um estudo similar, divulgado em 2015 em pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa usinas da região Centro-Sul, também já havia apontado para a necessidade de investimentos da ordem de US$ 30 bilhões para o mesmo fim.

Estudo da Embrapa Agroenergia antecipado pelo Valor na semana passada mostrou que é inviável o Brasil cumprir a meta de aumento dos biocombustíveis em sua matriz de energia firmada na COP-21, basicamente por causa do grande desafio do país para atender aos incrementos dos percentuais de biodiesel em sua matriz energética.

O levantamento da CNI, por sua vez, aponta que a missão também tem suas dificuldades no segmento de etanol, já que o país precisaria alcançar uma produção de 54 bilhões de litros do bicombustível por ano. Nesse sentido, a pesquisa aponta que a capacidade de moagem de cana teria que saltar das atuais 942,7 milhões de toneladas por safra para aproximadamente 1 bilhão de toneladas, considerando uma capacidade ociosa de 10%.

O estudo da entidade prevê, ainda, a construção de 75 novas usinas até 2030, com capacidade média para processar 3,7 milhões de toneladas de cana por safra cada uma, o que implicaria investimento total de cerca de US$ 26 milhões.

De qualquer forma, a pesquisa também estima que, caso os investimentos previstos se concretizem, o segmento deverá alcançar, em 2030, um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 74,49 bilhão, além de movimentar US$ 206,6 bilhões e recolher cerca de US$ 19,2 bilhões em impostos.

Mas o próprio estudo pondera que o segmento sucroenergético "dificilmente fará grandes investimentos para dobrar a produção se não tiver uma segurança de que a demanda será garantida, pois o setor pode realizar tal investimento e o governo pode focar na produção de energia eólica, por exemplo".

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor