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Mesmo com alta do dólar, ainda é possível ter ganhos comprando insumos com antecedência

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Período de maior procura por defensivos e fertilizantes ocorre entre agosto e novembro

Mesmo com alta do dólar, ainda é possível ter ganhos comprando insumos com antecedência Henrique Siqueira/especial

Édio Quaini comprou antes e garantiu economia Foto: Henrique Siqueira / especial

Vagner Benites

vagner.benites@zerohora.com.br

Produtores que perderam a oportunidade de comprar fertilizantes com custo menor antes de o dólar entrar em ritmo de alta no Brasil, no final de maio ainda têm tempo de obter alguma vantagem. Para isso, porém, é preciso fazer as aquisições antes do período de maior procura por defensivos e fertilizantes, que ocorre entre agosto e novembro.
Quem adquiriu produtos nos primeiros seis meses do ano – capitalizado pelos lucros da safra 2012/2013 e com dólar próximo de R$ 2 – garantiu melhores preços. Foi nesse cenário que a comercialização de defensivos cresceu 28% em todo o país entre janeiro e maio na comparação com o mesmo período de 2012. E a venda de fertilizantes já subiu 11,1% no Estado até junho.
Além do preço, a vantagem da compra antecipada está na logística. Sem a pressão da forte demanda do período próximo ao cultivo, o agricultor tem garantia de que terá produto para iniciar o plantio no período adequado. Com a cotação do dólar em torno dos R$ 2,20 e com cenário econômico que não aponta a volta aos padrões do início do ano, é justamente na garantia de entrega do produto que está o principal benefício de quem adquirir insumos nas próximas semanas.
– Comprar agora ainda tem alguma vantagem de preço, mas não aquela extraordinária do início do ano. O que notamos nos últimos dias é que muitos vendedores de insumos se retiraram do mercado, esperando uma atualização da tabela – afirma o economista da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Antônio da Luz.
Para o produtor que está se voltando ao mercado neste momento e ainda tenta obter vantagem com a compra antecipada, a recomendação é fazer uma boa avaliação da propriedade. Além da tradicional negociação.
– Como as margens são cada vez mais apertadas, conhecimento da propriedade é chave para conseguir maior lucro. O produtor deve fazer uma boa análise do solo para não comprar nada além do necessário – recomenda o economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Tarcísio Minetto.
Tranquilidade com economia de 15%
Uma boa safra de verão e a perspectiva de outra ainda melhor fizeram o produtor Édio Quaini investir mais na lavoura. Para proteger os 400 hectares de soja previstos na propriedade em Cruz Alta, ele se adiantou e foi ao mercado garantir os defensivos e fertilizantes no início de junho. Com a recomendação do agrônomo em mãos e uma relação de troca vantajosa, o resultado foi uma economia estimada em 15% e tranquilidade.
Com mais dinheiro no bolso graças aos resultados da última temporada, o agricultor de 48 anos levou em conta as informações da economia nacional antes de ir às compras.
– Quando a gente começa a ouvir coisas como “Guido Mantega desmente possibilidade de inflação”, a gente sente no ar que alguma coisa pode acontecer – relata.
A precaução também foi motivada pelo medo de pragas como a lagarta da maçã e a helicoverpa armigera. A lagarta foi responsável por grandes prejuízos em lavouras de soja do centro do país e também apareceu na propriedade de Quaini na safra passada.

Fonte: Zero Hora