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Mercado de sementes bate recorde

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Estimulada pelo avanço dos transgênicos no país, a produção de sementes certificadas cresceu 23% na safra 2011/12, encerrada no último fim de semana. Segundo o balanço anual da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), obtido com exclusividade pelo Valor, as sementeiras produziram mais de 2,99 milhões de toneladas no período – um recorde.

As sementes certificadas são aquelas produzidas para o mercado, com garantia de procedência, parâmetros de qualidade e cobrança de royalties pelas tecnologias nelas embarcadas. No Brasil, disputam espaço com as chamadas sementes "salvas", guardadas pelos próprios produtores rurais de uma safra para outra, uma prática ainda legal.

Os agricultores usaram 1,66 milhão de sementes certificadas na safra 2011/12, um aumento de 22% sobre a temporada anterior. O número ainda está distante do pleno potencial do mercado brasileiro, estimado pela Abrasem em 2,55 milhões de toneladas na última temporada. Mesmo assim, sua participação vem crescendo ano após ano – na última safra, avançou 3 pontos percentuais, a 65,1% de todas as sementes cultivadas no país. Foi a maior taxa de utilização já registrada no Brasil.

Juntas, as culturas de milho, soja e algodão representam mais de 77% do mercado brasileiro de sementes. Na última temporada, o cultivo de híbridos com certificação de origem cresceu 44%, para 281,2 mil toneladas. Sua participação no plantio total da safra aumentou de 87% para 91%.

O plantio de sementes certificadas de soja cresceu 23,5%, para 1 milhão de toneladas. Sua participação saltou de 64% para 67% do total cultivado. Já o uso de sementes comerciais de algodão avançou 7,7%, para 11,48 mil toneladas – de 51% para 55% do total.

Segundo o presidente da Abrasem, Narciso Barison Neto, o crescimento do mercado brasileiro de sementes é impulsionado pelo rápido avanço na adoção da transgenia no país. "Há uma relação direta entre a introdução da biotecnologia e o uso de sementes certificadas. À medida que o conteúdo tecnológico da semente aumenta, o produtor passa a enxergar mais valor nesse insumo", explica.

Liberados oficialmente apenas em 2005, os transgênicos já representam 80% das sementes de milho, 60% das de soja e 55% das de algodão vendidas no país, segundo a Abrasem. Até o início da década passada, as sementes certificadas eram responsáveis por apenas 70% do milho, 55% da soja e 30% do algodão plantados no país.

Barison lembra, porém, que a adoção dos transgênicos de modo ilegal, antes da aprovação da Lei de Biossegurança (2005), estimulou o uso de sementes "piratas", principalmente no Sul do país. "No Rio Grande do Sul, apenas agora estamos recuperando os níveis registrados no fim dos anos 1990".

O presidente da Abrasem afirma que a taxa de utilização das sementes certificadas está perto de alcançar todo o potencial do mercado de milho, mas ainda tem espaço para crescer nas principais culturas. Em até cinco anos, sua participação deve chegar a 90% na soja e 70% no algodão, prevê.

Na última safra, o mercado brasileiro de sementes movimentou cerca de R$ 4 bilhões, segundo estimativa da Abrasem. Apesar do crescimento de 14% em relação à safra anterior (R$ 3,5 bilhões), trata-se de uma fatia ainda pequena do mercado mundial, estimado em cerca de US$ 37 bilhões (R$ 74 bilhões) pela organização ISAAA.

Contudo, esse valor deve crescer de modo mais acentuado nos próximos anos, diante do aumento esperado dos royalties pagos à indústria de biotecnologia, que deve lançar uma gama de novos transgênicos no país já a partir da safra 2012/13.

Só a Monsanto, que deve lançar suas novas variedades de soja geneticamente modificadas, pretende ampliar em cinco vezes a taxa cobrada pelo uso de sua tecnologia, que promete aumentar a produtividade das lavouras. "Desde que os primeiros transgênicos de milho foram lançados no país, há quatro anos, o preço das sementes de ponta quintuplicou", afirma Barison.

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Fonte: Valor |