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Menor pressão agrícola alivia 2ª prévia do IGP-M

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Rio, 19 – A pressão dos produtos agropecuários sobre a inflação medida pelos índices gerais de preços (IGPs) está perdendo força. Após uma disparada provocada pela quebra de safra nos Estados Unidos, os preços do milho e da soja desaceleraram na segunda prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), pesquisa realizada de 21 de agosto a 10 de setembro. Os efeitos climáticos começam agora a chegar ao consumidor, com o aumento de preços de alguns alimentos no varejo. No segundo decêndio, o IGP-M ficou em 0,84%, ante 1,38% na mesma prévia do mês anterior.

Apesar da desaceleração na margem, o IGP-M acumula alta de 6,95% no ano. Em 12 meses a taxa chega a 7,93%, a maior desde os 8,5% de julho de 2011. Para o coordenador dos IGPs da FGV, Salomão Quadros, esse quadro inflacionário e os sinais de retomada da atividade reduzem as probabilidades de um novo corte da taxa básica de juros, hoje em 7,5% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

"O Banco Central estava olhando ao mesmo tempo para a inflação e a atividade econômica, que estava com dificuldades para tomar fôlego. Diante dessa anemia, poderia fazer uma nova redução na Selic. Essa hipótese agora parece mais afastada porque começam a aparecer sinais de uma reação da economia", diz Quadros, citando indicadores antecedentes positivos, como a produção de papelão ondulado.

Na segunda prévia do IGP-M de setembro, os preços no atacado vieram mais baixos, com o IPA-M saindo de 1,94% em agosto para 1,11%. O IPA agrícola foi de 2,60%, quase metade do porcentual apurado no mês anterior (5,43%). Os preços no atacado pesam 60% nos IGPs.

Embora a inflação da soja continue em um patamar elevado e como uma das principais influências do indicador, o preço do produto em grão subiu 4,56%, bem abaixo dos 10,43% de agosto. Vilão da inflação do mês anterior, com alta de 20,10%, o milho registrou aumento de apenas 1,44% em setembro. Já o arroz em casca, na entressafra, teve um salto de 11,25%.

Para Adriana Molinari, analista da Tendências Consultoria Integrada, os IGPs já atingiram seu pico. A expectativa para os próximos meses é de uma acomodação do IPA Agrícola, principal fonte de pressão dos índices de preços em 2012. "A tendência seria de um recuo dos preços agrícolas, retornando ao patamar anterior ao choque de oferta. Mas fica difícil avaliar se isso ocorrerá diante do cenário incerto da economia internacional", diz.

Adriana lembra que o minério de ferro, que segue em queda, começou a recuperar preços no mercado spot (à vista) da China. O movimento deverá se refletir nos IGPs, mas somente a partir de outubro. A consultoria projeta que o IGP-M fechado de setembro fique em 0,80%.

O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, esperava uma desaceleração maior do IGP-M na segunda prévia. A projeção era de 0,70%, 0,14 ponto porcentual abaixo do apurado. Ele considera preocupante o dado do IPA Industrial, que veio forte (0,52%) apesar do fim do impacto do reajuste do diesel e de pressões baixistas do minério de ferro e do aço. "Isso mostra que a inflação está mais espalhada pela cadeia industrial", avalia.

O economista prevê que os efeitos do choque de oferta sobre os estoques de GRÃOS no mundo se prolongarão, impedindo uma reversão da cotação de itens como soja e milho. Para Leal, a descompressão dos preços agrícolas é uma boa notícia, mas acaba neutralizada pela perspectiva de novas pressões, como as que já aparecem no complexo carnes. Os dados da segunda prévia do IGP-M mostram uma alta de 2,42% no preço da carne suína e de 1,61% na bovina ao consumidor, após deflação no mês anterior.

Os sinais de que a inflação iniciada nas commodities agrícolas começa agora a contaminar os preços do varejo são claros. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – que representa 30% do índice – na segunda prévia do IGP-M avançou 0,37%, acima dos 0,26% de agosto. As despesas com o item Alimentação subiram 0,94%, puxadas pelas carnes bovinas (1,61%).

"O que se observa no frigorífico já está sendo repassado no varejo. A alimentação dever ser o fator mais importante na aceleração de preços ao consumidor daqui para frente", confirma Quadros. Ele diz, porém, que a desaceleração no atacado prevalecerá e que a tendência é de uma desaceleração dos IGPs.

O destaque no IPC-M de setembro, porém, foi a elevação do preço do automóvel novo, que saiu de -0,62% no mês passado para 0,72%. O salto pode refletir um temor de que a isenção do IPI não fosse prorrogada, o que acabou ocorrendo.

O Índice Nacional da Construção Civil (INCC) contribuiu com 0,14% no mês, ante 0,36% em agosto. A desaceleração está ligada com os preços da mão de obra, que ficaram estáveis devido ao fim da rodada de reajustes salariais. Segundo Quadros, o item só deve voltar a influenciar a taxa em novembro, quando há novas negociações salariais previstas.

Fonte: G1 | ECONOMIA