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Melitta terá fábrica de café em Varginha

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Leonardo Rodrigues/Valor

Marcelo Del Nero Barbieri, presidente e CEO da Melitta para a América do Sul: crescimento de 15% no Brasil este ano

A multinacional alemã Melitta assina hoje, em Varginha, o contrato para a aquisição de uma estrutura fabril que permitirá a instalação, no município mineiro, de sua terceira unidade de produção de café no país. Como adiantou ontem o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, a adaptação da fábrica começará nas próximas semanas e a expectativa é que os trabalhos sejam concluídos em meados de 2018, ano em que a empresa vai comemorar seu cinquentenário no Brasil.

Segundo Marcelo Del Nero Barbieri, presidente e CEO da Melitta para a América do Sul, os investimentos na planta fazem parte de um pacote de aportes de R$ 60 milhões em equipamentos e inovação que deverá ser aplicado pela companhia no mercado brasileiro no próximo quadriênio. Em seus primeiros quatro anos de operação, a fábrica de Varginha deverá agregar, no total, R$ 200 milhões ao faturamento da múlti no país.

Em 2017, segundo projeção de Barbieri, as vendas da subsidiária brasileira deverão se aproximar de R$ 1,6 bilhão, 15% mais que no ano passado (R$ 1,36 bilhão) – quando o incremento em relação a 2015 foi de 19%. "No total, o mercado de cafés deverá crescer cerca de 10% no Brasil este ano, segundo a Nielsen. Portanto, nosso avanço será superior ao do mercado", afirmou o executivo.

A Melitta é a terceira maior fabricante de cafés do país, atrás de 3Corações e Jacobs Douwe Egberts (JDE) – dona da marca Pilão, individualmente a mais vendida -, que também estão em expansão. Juntas, as três têm "market share" da ordem de 50% no segmento de torrado e moído, que movimenta quase 20 milhões de sacas por ano e envolve, no total, cerca de 1,2 mil empresas, a maioria de perfil regional.

A multinacional alemã desembarcou no Brasil em 1968. Inicialmente, importava filtros de café, mas logo começou a produzir a invenção de Melitta Bentz em uma unidade em Guaíba (RS), ainda em operação. Inaugurou sua primeira torrefadora brasileira em 1980, em Avaré, e em 2006 fez sua primeira aquisição nessa área – da Bom Jesus, com uma fábrica situada na cidade gaúcha de mesmo nome.

Em abril deste ano, como informou o Valor, voltou às compras no segmento: adquiriu as marcas mineiras de café Barão e Forte D+, que pertenciam ao mineiro Grupo Mogyana, e no negócio ficou também com equipamentos para a produção de café torrado e moído. Esses equipamentos, originalmente com capacidade para aproximadamente 9 mil toneladas por ano, serão modernizados e instalados na nova unidade de Varginha.

Quando entrar em operação, entre o fim do primeiro semestre e o início do segundo de 2018, a planta de 4 mil metros quadrados, situada em um terreno de 26 mil no importante polo cafeicultor de Varginha, deverá empregar diretamente 35 pessoas e atrair outros 50 funcionários indiretos. Conforme Barbieri, ali serão produzidas basicamente as marcas Melitta e Barão, para alimentar as vendas sobretudo em Minas Gerais, São Paulo e do Rio de Janeiro.

Enquanto se expande e redesenha a distribuição de seus produtos a partir das quatro unidades que passará a contar no Brasil, a Melitta continua a estudar a estreia no mercado de cápsulas. "Estamos avaliando. O valor por quilo desse mercado é interessante, mas ainda não temos nada definido nesse sentido", afirmou Barbieri.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor