Melhora das condições climáticas favorece recuperação do trigo no RS

Boa luminosidade e temperaturas melhoram a coloração e o perfilhamento das lavouras que foram castigadas pelas fortes chuvas no início de julho

Emater/RS afirma que melhora do clima impede um avanço maior de pragas e doenças (Foto: Acervo/Ed. Globo)
As condições meteorológicas registradas nos últimos dias, com boa luminosidade e temperaturas amenas, favorecem a recuperação das lavouras de trigo no Rio Grande do Sul, melhorando sua coloração e perfilhamento. O comentário é da Emater/RS, que em seu boletim semanal de conjuntura destaca que a condição de normalidade do clima também contribui para o estado fitossanitário das lavouras, impedindo um maior avanço das doenças foliares e pragas, embora alguns produtores já tenham iniciado, por precaução, aplicação de fungicidas.

Segundo os técnicos da Emater/RS, no momento os produtores intensificam a aplicação de fertilizantes nitrogenados nas lavouras, principalmente nas áreas implantadas no início do mês de julho e que sofreram estresse devido às pesadas chuvas ocorridas durante o período. Eles observam que as lavouras semeadas em fins de maio e início de junho começam agora a entrar na fase reprodutiva (floração), que é muito suscetível às alterações climáticas, como geadas fortes e excesso de chuva. A Emater/RS estima que atualmente cerca de 2% das lavouras estejam nessa situação. Na safra passada este percentual era de 1% e média esse percentual deveria alcançar 3%.

Milho
Na análise do mercado de milho, os técnicos da Emater/RS comentam que o clima seco desta semana favoreceu o início do plantio da safra 2015/2016, especialmente nos municípios das Missões e Fronteira Noroeste, próximos ao Vale do Rio Uruguai. Segundo eles, nesses municípios se constata uma tendência de perda de área do milho para a soja. “Em alguns casos há estimativas que ultrapassam os 10% em relação ao ano passado”, dizem eles.

Os técnicos da Emater/RS constataram em campo que agentes financeiros seguem liberando recursos para financiar custeio do milho e os valores estão elevados em relação à safra passada. Eles alertam que existe também certa apreensão por parte dos produtores da agricultura familiar que demandam sementes do milho do Programa Troca-Troca, uma vez que ainda não receberam as sementes fornecidas pelo governo gaúcho.

Soja
No caso da soja, produtores começam a adquirir os insumos observando a tendência de aumento de preços da oleaginosa. Existem indicações de que vem sendo possível formar pacotes para aquisição de insumos em troca da soja para ser entregue em maio de 2016 ao preço de R$ 70 a saca. “As agropecuárias e as cooperativas já iniciaram a comercialização de sementes para a próxima safra, a qual tende a ocupar uma área maior em relação à safra anterior, ocupando a área das lavouras de milho”, comentam os técnicos. Como principal dificuldade na busca pelo crédito rural consta a renovação das análises de solo – que compõem o cadastro do produtor no agente financeiro – que agora devem conter a matrícula da área a ser cultivada.

POR VENILSON FERREIRA

Fonte : Globo Rural