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Meio ambiente – Projeto Biomas é apresentado na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado

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Audiência pública: Gustavo Curcio (à esquerda) ao lado da Senadora Ana Amélia / Foto: Renan Arais

Brasília, 19 de agosto de 2015 – O pesquisador da Embrapa Florestas e Coordenador do Projeto Biomas, Gustavo Ribas Curcio, participou do ciclo de palestras e debates sobre o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal, na última sexta-feira 14/8, junto com o representante do Ministério do Meio Ambiente (MMA) Mateus Motter e do diretor da Agroicone Rodrigo Lima. A convite da presidente da Comissão, senadora Ana Amélia Lemos, o pesquisador Curcio apresentou o Projeto Biomas, uma parceria da Embrapa e da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), cujo objetivo é viabilizar soluções que compatibilizem os sistemas de produção e de preservação em diferentes paisagens brasileiras, fortalecendo o uso da árvore na propriedade rural.

Em sua apresentação, Gustavo Curcio mencionou que o projeto desenvolvido por aproximadamente 380 pesquisadores de 21 Unidades da Embrapa e de 122 instituições de pesquisa nacionais, com duração de nove anos, acontece nos seis biomas brasileiros desde 2010.  Além de buscar formas de se fazer a melhor apropriação da árvore na propriedade rural brasileira, trazendo benefícios sócio-econômico-ambientais, o projeto busca gerar resultados científicos que possam subsidiar as discussões técnicas relacionadas ao aprimoramento da legislação ambiental brasileira.

O pesquisador da Embrapa Florestas também mostrou áreas experimentais de pesquisa nos seis biomas, como a da Mata-Atlântica, em Linhares – ES, onde fazem plantios de recuperação de rios e de nascentes reconstruindo espaços de Reserva Legal usando árvore e produção de alimentos.  Nesse bioma, usam sistemas de produção com madeira pura e sistemas homogêneos plantados com exóticas ou nativas. Também fazem pesquisa em São Domingos do Araguaia, no Pará, no bioma Amazônico, em florestas que estão depauperadas. Lá estão reflorestando com espécies de cunho ambiental e também de utilização pelo homem, além de atuarem com sistemas de produção integrada, como o lavoura-pecuária-floresta (iLPF).

Na Caatinga, Curcio comentou que estão reconstruindo no Agreste, em Ibaretama – CE, sistemas constituídos por florestas, mais especificamente ILPF dentro de área de Reserva Legal, trazendo benefícios ambientais, econômicos e sociais. Em Corumbá, MS, as pesquisas ocorrem em áreas degradadas do Pantanal, em solos arenosos com baixos teores de carbono. Sobre essa questão, o pesquisador alertou: “estamos emitindo carbono em quantidades exacerbadas. Estamos encontrando isso na Amazônia, na Caatinga, no Pantanal e as pessoas ainda estão se retratando como se estivessem fazendo sistemas sustentáveis”. Segundo Curcio, os pesquisadores estão identificando problemas graves de imobilização de carbono no solo dentro de áreas de uso restrito e estão estabelecendo sistemas para recompor, recuperar e mobilizar o carbono que está se convertendo em gases de efeito estufa.

A pedido da senadora Ana Amélia, o pesquisador esclareceu que uma das formas de se estabelecer um manejo sustentável é diminuindo gases de efeito estufa. “O local onde se segura o maior teor de carbono no ambiente terrestre é no solo, não é na floresta. Se depois do desmatamento colocam sistemas não sustentáveis, o carbono começa a se degradar, mineralizar e se converter em gases, em CO2. Se forem em solos hidromórficos, começam a emitir muito metano, óxido nitroso, gases muito mais danosos e promovem a depleção da camada de ozônio.  Quando nós estamos preocupados em fazer recuperação de APP (Área de Preservação Permanente) sob o ponto de vista de Código Florestal, nós temos que estar muito mais embasados nas funcionalidades ecológicas, como a imobilização de carbono ou a capacidade de filtro”, explica Curcio.

Sobre o bioma Cerrado, o pesquisador explicou que no DF as nascentes estão depauperadas e que os pesquisadores estão se esforçando para produzir conhecimentos sobre as diferenças existentes dentro das APPs com funcionalidades bastante distintas. Curcio apontou também que a situação dos Pampas é importante para ser discutida no Planaveg. “As pessoas acham que os Pampas são sistemas sem florestas. Não são. Existem florestas na beirada dos rios. O problema é que as florestas estão sendo depauperadas há décadas. Nós estamos reconstruindo sistemas florestais respeitando a vegetação de campo, porque é uma tradição e cultura gaúcha. Mas estamos introduzindo arbóreas que possam satisfazer demandas pluralizadas das propriedades, como lenha, mourão, porteira, caixotaria”, apontou Curcio.

Parceria com os produtores
Para o pesquisador da Embrapa Florestas, o cuidado com a formação de parcerias é fundamental para o sucesso de um plano nacional de revegetação nativa. Na opinião dele, além das instituições, os produtores também devem ser convidados a participar do plano. “Nós brasileiros temos uma postura de que: ‘chegamos para dizer para o produtor’. Isso é uma concepção absurda. Estar com produtor é a verdadeira troca do saber. Nós somos alimentados pelas colocações dos produtores que orientam os passos de ciência que se faz dentro das instituições”.

Contribuições da pesquisa para o Planaveg
Conforme o pesquisador, o Brasil é subdividido em Unidades fitogeográficas, cada local com uma tipologia florestal e espécies características. “Não adianta a gente ficar fazendo plano de revegetação sem considerarmos a alocação de novas árvores, respeitando unidades fitogeográficas”, afimou Curcio. A escolha das espécies para reflorestamento dependerá do conhecimento das características próprias das árvores e dos ambientes, segundo ele. “Conhecer essas características é importante para entendermos o comportamento de uma árvore, sobretudo sua aplicação. É fundamental para compreendermos se ela vai ter uma aplicação para funcionalidades ecológicas destinadas às APPs ou se poderá conjugar essas características e atender também à demanda do produtor, do mercado, que pode ser perfeitamente na Reserva Legal”.

Segundo Curcio, esforços e recursos expressivos têm sido empregados no Brasil para se implantar árvores, porém em solos errados. Diante dessa situação, os pesquisadores do Projeto Biomas estão desenvolvendo mapas detalhados das regiões onde estão presentes e os transformando em mapas com divisões jurídicas. De acordo com as características ambientais, sobretudo a presença ou não de água, eles já elegeram Áreas de Preservação Permanente, separaram áreas destinadas a Reservas Legais – de menor potencial de uso – e as áreas de alto potencial de uso, que são as áreas com os melhores solos da propriedade. Quando finalizados, esses dados serão disponibilizados no site do Projeto Biomas: www.projetobiomas.com.br

A apresentação completa do pesquisador da Embrapa Gustavo Curcio gravada pela TV Senado está disponível no endereço: https://youtu.be/MA4r2GbYn7k.

Sobre o Planaveg – O MMA, diante do desafio da implementação da Lei n° 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa, elaborou uma proposta de Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa – PLANAVEG para contribuir com o debate sobre o tema. O objetivo do Planaveg é ampliar e fortalecer as políticas públicas, incentivos financeiros, mercados, boas práticas agropecuárias e outras medidas necessárias para a recuperação da vegetação nativa de, pelo menos, 12,5 milhões de hectares, nos próximos 20 anos, principalmente em áreas de APP e reserva legal, mas também em áreas degradadas com baixa produtividade.

Sobre o Projeto Biomas – O Projeto Biomas, iniciado em 2010, é fruto de uma parceria entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com a participação de mais de quatrocentos pesquisadores e professores de diferentes instituições, em um prazo de nove anos. Os estudos estão sendo desenvolvidos nos 6 biomas brasileiros para viabilizar soluções com árvores para a proteção, recuperação e o uso sustentável de propriedades rurais nos diferentes biomas.

Coordenação de Comunicação Digital da CNA com informações da Embrapa

Fonte : Canal do Produtor