.........

Medo de infestação faz produtores paranaenses anteciparem compra de inseticidas

.........

Segundo o Sindicato Rural de Londrina, revendas e cooperativas já registram aumento de até 50% nas compras

Sebastião Garcia | Maringá

Kasuya

Foto: Kasuya / Adapar PR

Medo de infestação na próxima safra faz produtores correrem para estocar insumos

A preocupação com o aparecimento de lagartas tem feito muitos produtores de soja anteciparem a compra de defensivos para a próxima safra. A quarta reportagem especial do Canal Rural sobre a helicoverpa mostra que no Estado do Paraná, as revendas e cooperativas já registram aumento de até 50% nas compras, segundo o Sindicato Rural de Londrina.

>> Acesse o site especial do projeto Soja Brasil

A colheita da soja na região de Maringá terminou em fevereiro. Agora, na mesma área está plantado o milho safrinha. Mas os produtores já estão de olho no possível ataque de pragas na próxima safra de soja.   

– É uma questão de tempo até que estas pragas apareçam aqui no nosso Estado de forma mais intensiva – diz José Antonio Borghi, produtor e presidente do Sindicato Rural de Maringá.

A preocupação é a mesma de Mylton Casaroli. Ele tem 250 hectares de trigo, que foram plantados depois da soja, e os custos com os grãos por causa das pragas são sua principal preocupação.

– Quem faz as contas está vendo os custos têm aumentado em média de 12% a 15% por ano, por causa dos inseticidas. E essa lagarta é uma preocupação nova. Nós não sabemos se tivemos aqui na safra passada, mas ficamos preocupados com o que temos visto nos outros Estados – conta o produtor.

Muitos produtores paranaenses possuem propriedades no Norte, no Centro-Oeste e no Nordeste. Por isso, é comum que haja uma troca de informações e de experiências sobre a produção nas diferentes regiões. Eles temem que se a helicoverpa atacar a produção paranaense como atacou na Bahia, os custos com inseticidas poderão dobrar, o que tem feito muitos anteciparem a compra dos produtos.

Narciso Pissinati, presidente do Sindicato Rural de Londrina, teme que a demanda fora de época provoque falta de inseticidas no mercado e que, sem orientação, muitos façam aplicações desnecessárias.

– Nós estamos no mês de junho e já temos preocupação de que possa faltar inseticidas e fertilizantes para uma safra cujo plantio começa daqui quatro ou cinco meses. O produtor está procurando as revendas e as cooperativas pra fazer estoque e já percebemos alta no preço dos inseticidas – relata Narciso Pissinati.

Os produtores também reclamam do rigor e da demora na liberação de produtos para controle da lagarta. O José Antonio Borghi, do sindicato de Maringá diz, inclusive, que isso compromete a competitividade no mercado, e lembra que o Paraná tem um histórico de maior rigor quando se trata destes assuntos envolvendo a agricultura – na época do surgimento dos transgênicos, os produtores paranaenses foram proibidos de plantar as variedades geneticamente modificadas.

Borghi defende o manejo correto para controle da lagarta helicoverpa, mas teme que, caso haja liberação do benzoato de emamectina – produto mais eficiente no combate à lagarta, ainda não autorizado para uso no Brasil – o uso do produto seja impedido no Paraná e comprometa a produção.

Narciso Pissinati, do sindicato de Londrina, pede mais flexibilidade não só nos Estado, mas também do Ministério da Agricultura, na liberação dos agrotóxicos, pois falta oferta de produtos no mercado e isso faz com que o produtor pague mais caro.

– O Ministério da Agricultura precisa ver esta situação que estamos vivendo porque nós sabemos que existem outros produtos que podem ser bem mais em conta, mas não há cadastro das empresas ou dos produtos aqui – diz Pissinati.       

O secretário de agricultura do Paraná, diz que tem se empenhado para flexibilizar o cadastramento de produtos químicos no Estado. Sobre a possibilidade de ocorrências da lagarta helicoverpa, Norberto Ortigara garante que o governo está disposto a ajudar os agricultores no combate, com ou sem entendimento com o governo federal.  

– A competência de registrar o uso de um novo produto é federal, mas nós temos que examinar o assunto do ponto de vista prático paras nossas comunidades, para nossa forma de produzir, zelando pelo ambiente. Se tivermos que tomar medidas de força, tomaremos – afirma o secretário de Agricultura Norberto Ortigara.

>> Veja todas as reportagens da série

• Helicoverpa já causou prejuízo de R$ 1,7 bilhão na Bahia (01/7)

• Lagarta atacou lavouras de Mato Grosso do Sul na safra passada (02/7)

• Manejo correto é essencial para controlar pragas, afirmam especialistas (03/7)

CANAL RURAL

Fonte: Ruralbr