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Marfrig amplia abates de bovinos

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A Marfrig confirmou as expectativas e anunciou a ampliação de seus abates de bovinos no país. Em comunicado divulgado ontem, a companhia informou que o incremento virá da reabertura de duas unidades frigoríficas que estavam paralisadas desde 2015 – localizadas nos municípios de Nova Xavantina (MT) e Pirenópolis (GO) – e da expansão da produção em outras quatro unidades situadas nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Pará e Rondônia.

"Após a implementação total dessas ações, estima-se que a operação brasileira da divisão Beef eleve sua capacidade efetiva em torno de 25% em relação ao patamar atual. Esse aumento está alinhado à estratégia da companhia na busca pelo crescimento sustentável", afirma o comunicado assinado pelo vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Marfrig, José Eduardo de Oliveira Miron. Na B3, os papéis da companhia fecharam ontem com alta de 0,6%, em linha com o Ibovespa.

No mesmo comunicado, a empresa não relaciona o incremento a eventuais oportunidades abertas pelas dificuldades enfrentadas pela JBS, que lidera o segmento no país. O texto afirma apenas que a expansão anunciada é consequência "da maior disponibilidade de bovinos para abate no Brasil, decorrente do ciclo positivo de gado e da maior retenção no primeiro semestre, e do atual cenário macroeconômico".

Procurada pelo Valor, a Marfrig não informou sua atual média diária de abates de bovinos – em todo o ano passado, os abates da companhia superaram 2 milhões de cabeças – e preferiu não detalhar a estratégia de expansão anunciada. Mas esclareceu que, para a reabertura das unidades de Nova Xavantina e Pirenópolis estão sendo contratos 1,35 mil funcionários no total. A reportagem apurou que a expansão da produção nos outros quatro frigoríficos acontecerá por meio da implantação de segundos turnos.

De fato o "ciclo positivo de gado bovino", também marcado pelo aumento de matrizes para descarte, já motivaria por si só uma ampliação dos abates no país em algum momento neste ano. O "momento" pode até ter sido adiado, mas, agora, tornou-se uma tendência praticamente irrefreável.

"Em janeiro e fevereiro, os abates em geral caíram cerca de 20% no país, em parte porque o mercado não exigia e os pastos estavam muito bons. Depois veio a Operação Carne Fraca [deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março], que provocou queda de 50% dos abates em março e abril, até porque as exportações foram prejudicadas. Ou seja, é hora de tirar o atraso, o que deverá tornar o segundo semestre deste ano bastante positivo nessa frente", afirmou um especialista.

Uma outra fonte de mercado pondera, entretanto, que o "fator JBS" também tem alguma influência nos movimentos de suas concorrentes, por mais que possa não ser a condição predominante.

Como já informou o Valor, uma das primeiras medidas adotadas pela líder de mercado após a delação de seus proprietários foi suspender os pagamentos à vista pelos bovinos adquiridos dos pecuaristas e não mais efetuar as compras à vista. Posteriormente, a JBS também decidiu reduzir sua escala de abates no país. Dado o peso da companhia no setor, as medidas tiveram reflexos no mercado, inclusive sobre os preços do boi gordo.

Por Fernando Lopes e Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor