Maranhão quer investir no comércio de animais vivos

Embarque de bois vivos no porto de Itaqui, no Maranhão: nova carga à vista
Os embarques de bois vivos por Vila do Conde, em Barcarena, no Pará, podem estar com os dias de "quase exclusividade" contados. O porto responde por 98% das operações nacionais desse tipo de carga, mas, além de Rio Grande ter novamente registrado o escoamento de animais (ver Acidente no Pará amplia disputa por bois no Sul), o Maranhão também passou a cobiçá-lo.

A ideia de concorrência ganhou força depois do embarque experimental, em 26 de novembro, de 5 mil bois redirecionados ao porto de Itaqui, na capital São Luis, após o naufrágio de outubro que desencadeou uma série de danos ambientais e sociais à comunidade e interditou por tempo indeterminado o terminal de Vila do Conde.

"Foi uma operação emergencial, mas considerada de sucesso", disse ao Valor Ted Lago, presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que gerencia o porto de Itaqui. Para chegar a São Luís, os animais foram transportados por caminhão por quase mil quilômetros, ou 13 horas. Outro carregamento, desta vez com 8 mil cabeças, fará o mesmo caminho enquanto Vila do Conde não é liberado para a operação.

A ajuda pontual, no entanto, sinalizou novas possibilidades. O governo maranhense enxergou na operação com animais um novo negócio a ser explorado por um dos Estados mais pobres do país e carente de opções econômicas.

"O Maranhão sempre teve interesse [em exportar bois], mas estávamos atrasados em questões sanitárias. Agora, não mais", afirma o secretário de Agricultura, Márcio Honaiser, referindo-se ao fato de o Estado ter sido considerado livre de aftosa com vacinação, em 2014.

Com o segundo maior rebanho bovino do Nordeste, atrás da Bahia, o Maranhão tem 7,5 milhões de cabeças de gado e aposta que a abertura de novos canais de escoamento atrairá investimentos. Quatro frigoríficos já estão posicionados no Estado – JBS, Fribal, Frigotil e Comcarnes. A eventual estreia nas exportações de bois vivos poderia alavancar a cadeia da carne como um todo, gerando empregos e renda, diz Honaiser. "A demanda tem crescido por parte do Vietnã e outros países. O Pará, sozinho, não terá condições de responder".

O porto de Itaqui também já vinha sendo preparado para o escoamento de carne processada, A expectativa é que esses embarques tenham início em março.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor