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Mapa garante preço mínimo

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Leilões para escoar produção depende da aprovação do Conselho Monetário Nacional

 Mendes explicou novas medidas ao setor suinícola em Brasília<br /><b>Crédito: </b>  ELZA FIÚZA / ABR / CP

Mendes explicou novas medidas ao setor suinícola em Brasília
Crédito: ELZA FIÚZA / ABR / CP

O Ministério da Agricultura anunciou ontem que irá subvencionar a venda de suínos vivos de todas as regiões produtoras por meio de leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) no valor de R$ 0,40 o quilo vivo. A meta é garantir ao produtor o preço mínimo de R$ 2,30 por quilo de suíno vivo, cobrindo o custo de produção. O limite será de 50 mil toneladas de carcaça ou 76 mil toneladas de suínos vivos, um investimento do Mapa de R$ 30,4 milhões. A subvenção será paga a cooperativas e agroindústrias que adquirirem o produto diretamente de produtores independentes.
No anúncio feito em Brasília, o ministro Mendes Ribeiro Filho disse que a medida será publicada após a aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem reunião marcada para o dia 26. O secretário de Política Agrícola do Mapa, Caio Rocha, explicou que o cálculo considerou o preço médio ao produtor em junho no país, de R$ 1,90, e o custo levantado pela Conab com o desconto do Funrural. Para Rocha, apesar da avaliação de que a indústria está com estoques cheios, o consumo prosseguirá. Ele antecipou que, se a medida for insuficiente, serão discutidos novos mecanismos. O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, afirmou que, durante reunião com os técnicos do Ministério da Agricultura, argumentou sobre a insuficiência das medidas anunciadas para debelar a crise, agravada pela alta dos preços da soja e do milho. Para Lopes, os leilões divulgados ontem atendem apenas aos criadores que trabalham integrados às grandes empresas e cooperativas, que darão prioridade para compra de sua própria produção. Lopes explicou que a ideia é que os criadores independentes apresentem aos órgãos governamentais as notas fiscais e as guias de trânsito que acompanham o transporte dos animais (GTA) para ter direito à subvenção federal. Ainda assim, ele acredita que a subvenção injetará recursos no setor e dará melhores condições para o criador enfrentar a crise. Rocha garantiu que haverá controle para que haja o uso adequado do apoio.
O diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos do RS (Sips), Rogério Kerber, recebeu a notícia com ceticismo. O executivo pondera que a indústria suinícola está com dificuldade para escoar a produção devido à redução nas exportações e comercialização interna, momento desfavorável para investimento no aumento de abate e armazenagem. "Sem garantia de mercado, a indústria não tem como absorver uma produção maior."

Fonte: Correio do Povo