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Maioria das indústrias tem máquinas defasadas

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Pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC) e a consultoria Inventta com 57 empresas revela que é necessário mais clareza nos critérios de aprovação dos apoios financeiros diretos em projetos de inovação. Segundo o relatório, a gestão no setor também poderia ser aperfeiçoada com a redução do tempo de liberação dos recursos e com uma maior transparência, por parte dos apoiadores, na negociação das garantias e contrapartidas, durante o processo de concessão do crédito.

"Um dos principais pontos dos programas de financiamento para a inovação em máquinas é permitir a modernização dos parques industriais", diz Hérica Righi, pesquisadora do núcleo de inovação da FDC. "Um levantamento da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex) constatou que cerca de 90% da capacidade de produção da indústria brasileira operavam com equipamentos ultrapassados. Em alguns casos, o maquinário tinha cerca de 20 anos."

O estudo indica que a maioria das empresas (51%) usou fontes de fomento nos últimos três anos; 38% das companhias nunca exploraram o benefício, mas têm a intenção de fazê-lo nos próximos anos. Entretanto, o levantamento mostra que um dos maiores desafios na utilização de verbas de terceiros são o grande volume exigido de documentações, morosidade na avaliação dos projetos e acesso aos órgãos provedores.

A Tigre anunciou investimentos de R$ 5,9 milhões em um projeto de redução do consumo de energia elétrica e melhor performance na produção da fábrica de Joinville (SC). O objetivo é poupar cinco mil MWh ao ano ou o equivalente a 10,5% do consumo anual, com a substituição de quatro equipamentos de grande porte e alterações em 80 máquinas da planta. A repaginação faz parte de uma ação da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), que financia, a juro zero, projetos de eficiência energética em instalações industriais no Estado.

"A inovação não pode ser feita sozinha", diz Hérica. "Com raras exceções, as empresas não detêm todas as competências necessárias para inovar." No setor de máquinas, segundo a pesquisadora, o desenvolvimento de inovações passa pelo conhecimento científico e tecnológico proveniente da academia, de clientes e fornecedores.

No mês passado, o BNDES também aprovou um financiamento de R$ 55,8 milhões para o plano de inovação da Dass Nordeste, fornecedora de roupas e calçados para marcas como Umbro, Nike e Adidas. O custeio corresponde a 85,1% do total a ser aplicado no projeto de investimento em inovação da companhia, com unidades fabris em quatro Estados, além da Argentina e Paraguai. Com um centro de P&D em Ivoti (RS), a empresa deve usar o montante em novas tecnologias de materiais, equipamentos e treinamento de equipes em biomecânica, segundo o banco.

Na catarinense Duas Rodas, fabricante de ingredientes para a indústria de alimentos e bebidas, com plantas no Amazonas e Sergipe, além da Argentina, Chile, Colômbia e México, cerca de 6% do faturamento anual vai para a inovação. "Desde 2012, são mais de R$ 8,3 milhões investidos nas unidades brasileiras, por meio de financiamentos", diz o diretor de inovação e tecnologia Antônio Carlos Gonçalves.

A empresa faturou R$ 496 milhões no ano passado e a previsão para 2013 é alcançar R$ 574 milhões. (JS)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo