.........

Maior catástrofe agrícola dos Estados Unidos

.........

Com uma perda de 100 milhões de toneladas de milho e, pelo menos, 20 milhões de toneladas de soja, em relação ao previsto, os Estados Unidos estão vivendo a maior catástrofe agrícola de toda a sua história, em consequência de uma seca que assola os principais estados produtores de grãos, com reflexos no mundo todo, pois caíram os estoques agrícolas. No Brasil, já não há mais soja à venda, apesar dos bons preços, R$ 82,00 a saca por lote no Interior do Rio Grande do Sul, valor que nunca havia sido pago desde que se planta soja no Estado, porque a safra passada também foi atingida por secas no Brasil, Argentina e Paraguai, e quem ainda tem não quer vender, esperando preços maiores. A falta é tão grande que já há cooperativas que venderam para entrega futura, mas os contratos estão vencendo, e elas não têm o produto para cumprí-los. E ainda não chegou o mês mais quente do ano nos Estados Unidos, agosto, que vai castigar ainda mais os campos. O mês é tão quente que, em cada agosto, em Chicago, morre uma média de 400 pessoas em consequência do calor. São velhos, gordos, negros e pobres que, sem qualidade de vida, sem ar-condicionado, com peso médio de 130 kg, seus corações não aguentam o calor de 40°.

Catástrofe II

As repercussões locais da seca americana e dos altos preços agrícolas se dão, principalmente, nas criações de frangos, suínos e bovinos. O preço do milho já dobrou. O farelo de soja, que custava R$ 600,00 a tonelada, em 2011, está valendo R$ 1.200,00. O especialista gaúcho em comércio internacional de produtos agrícolas Antonio Sartori, cada vez mais solicitado para palestras sobre o futuro da produção de alimentos, tem números próprios para provar que a situação mundial atual é mais grave do que parece e que, paradoxalmente, vai ser muito boa, no futuro imediato, para quem produzir soja, trigo e milho usando tecnologia para aumentar a produtividade e driblar os efeitos climáticos mais sérios. Ressabiados com a atual seca, os americanos, diz Sartori, já estão planejando colher 375 milhões de toneladas de milho e, pelo menos, 90 milhões de toneladas de soja, em 2013. A motivação maior será o preço, que deve continuar com viés de alta.

Fonte : Jornal do Comércio