Lucro global da ADM subiu 84% no 1º tri, para US$ 493 milhões

A Archer Daniels Midland Company (ADM), uma das maiores empresas de agronegócio do mundo, reportou ontem um lucro líquido de US$ 493 milhões no primeiro trimestre de 2015, encerrado em 31 de março, expressivo avanço de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita, por sua vez, recuou 15,4% na mesma comparação, para US$ 17,506 bilhões.

A queda nos preços das commodities no mercado internacional contribuiu para pressionar a receita da ADM, enquanto o aumento das margens de processamento favoreceu o crescimento do resultado líquido.

O lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) registrou elevação de 88,5%, para US$ 690 milhões. O destaque ficou por conta das operações de processamento de oleaginosas, que resultaram em um lucro operacional de US$ 469 milhões, alta de 57,9% ante o primeiro trimestre de 2014.

"A equipe de oleaginosas capitalizou em condições favoráveis de mercado e entregou excelentes resultados, com fortes performances em cada região", disse o CEO Juan Luciano, em nota. O bom desempenho refletiu volumes recordes de soja processada na Europa e na América do Norte, além das fortes margens globais, impulsionadas pela demanda aquecida por farelo. Colaborou também a maior originação na América do Sul, segundo a ADM.

Entretanto, a melhora dos resultados no mercado de biodiesel sul-americano, capitaneada pelo aumento da mistura obrigatória ao diesel comum no Brasil, foi contrabalançada por margens menores com o biocombustível na América do Norte e pela demanda enfraquecida na Europa.

Já os serviços agrícolas contribuíram com um lucro operacional de US$ 194 milhões no trimestre (alta de 36,6%), seguido pelo processamento de milho, com US$ 113 milhões (nesse caso, houve queda de 39,2%). De acordo com a múlti, as operações de milho sofreram com a redução da produção de etanol e margens industriais mais apertadas.

Além do balanço, a ADM anunciou ontem que está construindo uma nova fábrica de premix (pré-mistura de minerais e vitaminas para a ração animal) em Zhangzhou, no sul da China. A empresa não revelou o valor investido.

Conforme a ADM, a nova planta empregará cerca de 150 pessoas e abastecerá uma região importante na produção de suínos, aves e peixes em cativeiro. A previsão é que as obras estejam concluídas no quarto trimestre de 2016, com uma capacidade de processamento de 30 mil toneladas de pré-mistura por ano.

A múlti informou ainda que construirá uma nova fábrica de ração em Glencoe, no Estado americano de Minnesota, com o objetivo de apoiar o mercado em expansão no Meio-Oeste dos EUA. A expectativa da ADM é que a fábrica esteja pronta no primeiro trimestre de 2016, com uma capacidade de processamento de cerca de 80 mil toneladas de produtos por ano, especialmente para a alimentação de suínos e bovinos.

A ADM também anunciou que chegou a um acordo para adquirir a North Star Shipping e a Minmetal, ampliando sua rede de originação e transporte com a incorporação das instalações de exportação das duas empresas no porto romeno de Constanta, no Mar Negro. A região é importante produtora de grãos.

A ADM já era parceira da North Star e da Minmetal, que operam elevadores de grãos e armazéns, além de terem serviços portuários e uma agência de navegação na foz do rio Danúbio.

Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos e Mariana Caetano | De São Paulo