.........

Lucro da Camil caiu 16% no trimestre encerrado em maio

.........

A Camil Alimentos, uma das maiores companhias beneficiadoras de alimentos da América Latina, teve no trimestre encerrado em 31 de maio (1º trimestre do ano-fiscal) um lucro líquido de R$ 33,6 milhões, 16% abaixo do obtido em igual trimestre de 2015. Além de um maior custo de produtos vendidos, o resultado foi impactado por maiores encargos tributários.

A companhia, que tem entre seus principais sócios um fundo da Gávea Investimentos, registrou no intervalo uma receita líquida 3,9% maior, de R$ 961,7 milhões, e um custo dos produtos vendidos 5,8% mais elevado, o que reduziu seu lucro bruto em 1,3%, para R$ 233,7 milhões.

Também pesou a estratégia de manter elevados níveis de estoques, em especial de arroz. Em 31 de maio, a empresa tinha em seus armazéns R$ 988 milhões em produtos (R$ 671 milhões de arroz), 138% acima dos R$ 414 milhões do trimestre anterior, encerrado em 28 de fevereiro. Na nota explicativa que acompanha as informações trimestrais, a empresa informa que realizou uma compra antecipada da safra de arroz dos produtores no Chile e no Uruguai e que adotou a formação de "estoques estratégicos" no Brasil.

Mas a companhia não elevou em demasia seu endividamento oneroso no período em função dessa decisão comercial. Entre 28 de fevereiro e 31 de maio deste ano, a Camil aumentou em 82%, ou R$ 343 milhões, seus compromissos de curto prazo com fornecedores, que foram a R$ 761 milhões. Em igual comparação, a dívida bancária com vencimento em até 12 meses cresceu 30%, para R$ 218 milhões, e o endividamento bancário de longo prazo cresceu 3%. A dívida da empresa com debênture de curto prazo caiu 1,7% e a de vencimento após 12 meses subiu 0,12%. Em 31 de maio, a Camil tinha em caixa R$ 337 milhões, 38% acima do caixa de 28 de fevereiro deste ano.

Nos últimos anos, a Camil adotou uma forte estratégia de aquisições de marcas e empresas, tanto no Brasil como na América Latina. Entre as mais recentes está a incorporação, no fim de 2014, da peruana Romero Trading, que atua na comercialização de arroz, açúcar e outros grãos no Peru. Em 2013, incorporou a fluminense Carreteiros Alimentos, que estava em recuperação judicial. Um ano antes, havia comprado a Docelar Alimentos, da Cosan, e todas as marcas de açúcar de varejo que lhe pertenciam, entre as quais a União.

Na área de arroz, a empresa adquiriu a uruguaia Saman, a chilena Tucapel e a peruana Costeño. Em 2011, também adquiriu na América do Sul as marcas de pescados Pescador, Alcyon e Navegantes, enquanto no Brasil comprou a Coqueiro.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor