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Louis Dreyfus Commodities dá ênfase a aumento de eficiência

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Roberto Vidal: comunicação eficiente e trabalho em equipe são pontos-chave
Principal frente de negócios da Louis Dreyfus Commodities (LDC) no mundo atualmente, o Brasil deverá absorver 20% dos investimentos globais de US$ 4 bilhões que a multinacional francesa planeja realizar para fortalecer suas operações nos próximos cinco anos. E, como no caso de concorrentes como ADM, Bunge e Cargill, a maior parte dos recursos destinados ao país deverá ser aplicada em logística, especialmente na região Norte.

“Vamos investir R$ 500 milhões por ano [até 2019]. O objetivo é dar ênfase às operações, com foco em ganhos de eficiência”, diz Roberto Bento Vidal, que assumiu oficialmente o cargo de CEO da subsidiária brasileira no início de março. Com passagens por empresas como Ambev e Votorantim, Vidal está na Dreyfus há um ano e meio. Antes de substituir Adrian Isman no comando da LDC Brasil, era o principal executivo da área operacional.

“Novato” no grupo, Vidal, que tem 44 anos, evita comentários sobre as inúmeras mudanças na gestão da multinacional nos últimos anos, nos planos global e local. Não considera que tenha sido um período de turbulência, ainda que o grupo tenha sido alvo das mais variadas especulações sobre seu futuro. Muitos analistas chegaram a afirmar que o conglomerado francês só sobreviveria à maior concorrência entre as tradings, inclusive as asiáticas, se fundisse seus negócios com os de alguma rival.

Mudanças aconteceram, é verdade, mas nada tão radical. No Brasil, por exemplo, foi marcante o “spin off” dos negócios de açúcar e etanol que resultou na criação da Biosev, que abriu o capital em 2013. Mas a vida continuou. “As mudanças que aconteceram fazem parte de uma fase normal da evolução do grupo”, afirma Vidal. “O importante, agora, é melhorar nossa comunicação interna, fomentar o trabalho em equipe e entregar resultados, mantendo uma visão de longo prazo”, acredita. E bola para frente.

Aparentemente menos preocupada em ampliar o portfólio de produtos de maior valor agregado do que em ganhar mais eficiência ao longo das cadeias produtivas nas quais atua, principalmente grãos, a LDC Brasil já começou a incrementar os investimentos para expandir cada vez mais o escoamento de grãos destinados à exportação pelo Norte do país.

Em parceria com outras empresas, entre as quais a também multinacional Glencore e a Amaggi, controlada pela família do senador Blairo Maggi (PR-MT), a LDC já opera no porto de Itaqui, no Maranhão, o Tegram, primeiro terminal exclusivo para grãos do Estado. E, paralelamente, começa a avançar o projeto de construção de um terminal de transbordo no rio Tapajós, que corta o Pará. Essa é frente que deverá absorver a maior parte dos investimentos previstos para os próximos anos.

“É um projeto de três ou quatro anos. Depois dos aportes na operação da hidrovia, teremos investimentos portuários a fazer, que ainda estão indefinidos [e dependem do andamento do processo de concessão de terminais à iniciativa privada]”. Em cinco ou seis anos, Vidal estima que a LDC estará transportando cerca de 3 milhões de toneladas de grãos pelo Tapajós. Pelo Tegram, o escoamento dos parceiros poderá chegar a 10 milhões de toneladas até 2022, como já informou o Valor.

Para navegar pelo Tapajós, afirma o CEO, a LDC Brasil provavelmente contará com barcaça e empurradores próprios e aproveitará a experiência que tem a partir de operações na hidrovia Tietê-Paraná – atualmente paradas por conta da estiagem do ano passado – e também no Paraguai. “Ao mesmo tempo, vamos investir para ampliar a originação de grãos e em armazéns. Avançar na cadeia produtiva depende dessa competitividade”, diz Vidal.

Com esses aportes em “negócios que fazem sentido”, como pontua o executivo, a expectativa é que a movimentação de grãos da LDC no Brasil, que em 2014 alcançou cerca de 10 milhões de toneladas (a soja respondeu por 75% do total e o milho pelos 25% restantes), aumente em até 50% nos próximos anos. Na área de grãos, Vidal também realça a expansão das operações no mercado de milho após a aquisição, em 2014, da Kowalski Alimentos, dona de unidades de processamento e produção de itens de maior valor agregado em Apucarana (PR) e Rio Verde (GO).

Ainda sobre os negócios no país, Vidal reafirma o compromisso da LDC de manter uma posição firme no mercado de suco de laranja – a empresa é a terceira maior exportadora do produto brasileiro, atrás de Citrosuco e Cutrale – e acredita que é possível ampliar a participação no mercado de café, no qual já movimenta 250 mil toneladas por ano, boa parte para exportação.

Em 2014, a receita líquida da LDC Commodities Brasil e suas controladas ficou estável em R$ 13,9 bilhões. E, segundo balanço publicado no “Diário Oficial Empresarial de São Paulo”, houve prejuízo de R$ 166,9 milhões, ante perda de R$ 131,6 milhões em 2013. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques da múlti a partir do país renderam US$ 476,9 milhões no primeiro trimestre, 39,5% menos que em igual período de 2014. Já os resultados globais do grupo melhoraram em 2014. (ver tabela).

Fonte: Valor | Por Fernando Lopes | De São Paulo