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Logum renova empréstimo de R$ 1,1 bi com BNDES

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A Logum, responsável pela construção e operação do etanolduto que conecta regiões produtoras de etanol do interior do Centro-Sul até o litoral, renovou um empréstimo-ponte com o BNDES no valor de R$ 1,1 bilhão na semana passada. A renovação, que está em fase de assinatura, ocorre enquanto a empresa ainda não pode acessar um financiamento de longo prazo, o que depende da saída da Odebrecht Transport Participações e da Camargo Corrêa de seu quadro societário, apurou o Valor.

Segundo o banco, não é a primeira vez que o empréstimo-ponte à Logum é renovado. A operação venceu em 2013 e desde então a linha já foi renovada diversas vezes, informou. Desde o ano passado, o banco de fomento deixou de conceder novos empréstimos-ponte. Mesmo assim, a linha com a Logum foi renovada e nas mesmas condições do acordo anterior, com juros de 3,02% ao ano.

Há a expectativa entre os sócios e no banco de que a reestruturação societária seja resolvida em breve, apurou o Valor. Equacionada a participação de cada sócio, espera-se que o BNDES conceda um financiamento de longo prazo para o projeto. Além de Odebrecht e da Camargo Corrêa, são sócias na Logum a Copersucar, com 21,28% de participação, a Raízen, também com 21,28%, a Petrobras, com 15,51%, e a Uniduto Logística, com 10,64%.

A saída das duas empreiteiras do capital da Logum tornou-se uma necessidade para a empresa depois que as companhias envolvidas na Operação Lava-Jato tiveram piora em seu risco de crédito, impedindo a concessão de empréstimos de longo prazo. A Odebrecht Transport Participações tem 21,28% das ações da Logum e a Camargo Corrêa, 10%.

A Logum foi criada em 2011 para distribuir etanol aos mercados consumidores. Em novembro daquele ano, a companhia acertou um empréstimo-ponte com o BNDES de R$ 1,7 bilhão com carência de 5 anos e 7 meses e amortização em apenas um mês.

Afora os recursos do BNDES, a empresa tem recebido aportes dos sócios. No total, já foram investidos R$ 2 bilhões na construção do sistema dutoviário. Atualmente, o etanolduto sai de Itumbiara e passa por Uberaba, Ribeirão Preto, Paulínea, Barueri, Guarulhos, Guararema, Volta Redonda, Duque de Caxias, até o porto em Ilha D’Água, de onde o etanol é embarcado para ao Nordeste ou para o exterior.

Até a safra 2016/17, o trecho de Barueri a Duque de Caxias foi atendido de forma plena, enquanto os trechos entre Paulínea, Guarulhos e Volta Redonda eram operados ainda de forma parcial, conforme informações divulgadas pela Logum em recente evento do setor.

A empresa pretende agora expandir o duto para a região metropolitana de São Paulo – incluindo terminais em São Caetano do Sul, São José dos Campos e a ampliação do terminal de Guarulhos -, além da extensão da via até o porto de Santos em uma etapa posterior. Todo o projeto do etanolduto prevê investimentos de R$ 5 bilhões.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor