Lobby contra carne bovina do Brasil nos EUA arrefece

O lobby do setor pecuarista dos Estados Unidos contra a abertura de seu mercado à carne bovina in natura do Brasil está perdendo força no Congresso daquele país, segundo uma fonte que acompanha o assunto. O orçamento americano, previsto para ser votado hoje, deve ser aprovado sem a inclusão das emendas que tinham potencial para atrasar a efetiva abertura do mercado de carne bovina dos EUA por alguns anos.

Com isso, o horizonte para os frigoríficos brasileiros fica mais claro e reforça a expectativa de que seus primeiros embarques de carne bovina in natura para os EUA possam ocorrer já no primeiro semestre de 2016. Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec) previu que os embarques poderão começar no segundo semestre e render pouco mais de US$ 100 milhões em 2016.

Embora tenha sido anunciada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) durante a visita da presidente Dilma ao país, em junho, a efetiva abertura do mercado vem se arrastando desde então pela pressão de parlamentares ligados ao setor pecuário, mesmo com a declarada posição do Executivo americano, que defende a abertura ao Brasil.

Para se contrapor ao lobby pecuarista, integrantes da embaixada brasileira em Washington fizeram 14 reuniões com membros do USDA e de comissões do Congresso, além de terem enviado mais de 70 cartas a alguns parlamentares americanos.

Entre julho e agosto, as comissões de dotação orçamentária da Câmara e do Senado chegaram a incluir emendas aos projetos que tratam dos gastos do USDA no ano fiscal de 2016, requerendo medidas adicionais para verificar a possibilidade de a importação do produto brasileiro levar febre aftosa aos EUA. Se essas medidas fossem aprovadas, a abertura do mercado americano voltaria à estaca zero.

Por fim, no texto final do orçamento que tende a ser aprovado hoje consta uma emenda bem mais branda, prevendo auditorias e avaliações por parte do Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal (Aphis, na sigla inglês) em países que tiveram o status sanitário aprovado por esse mesmo órgão.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor